CÉSAR HERNÁNDEZ (CSIC) - Arquivo
MADRID 22 jan. (EUROPA PRESS) -
Uma nova metodologia desenvolvida pelo Instituto Geológico e Mineiro da Espanha (IGME-CSIC), pelo Instituto Geográfico Nacional (IGN) e pela Universidade de Valência permite antecipar erupções vulcânicas em ambientes urbanos com cerca de 48 horas de antecedência, segundo informou nesta quinta-feira o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).
O trabalho, publicado na revista Scientific Reports, descreve um método “pioneiro no mundo” que aplica algoritmos para determinar com precisão um sinal precursor da erupção cerca de dois dias antes de ela ocorrer. Especificamente, identifica uma “transição” no comportamento da memória de longo prazo do magma. Conforme detalhado pelo CSIC, este é regido por um padrão ao longo do tempo no momento da ascensão. Esse padrão ou memória gera uma série de movimentos sísmicos relacionados entre si de forma persistente e estável. Quando a memória muda, gera-se uma série temporal de terremotos, diferentes dos registrados anteriormente. Isso revela que o magma deixou de estar “estagnado”, ou de se mover lentamente, para iniciar uma ascensão imparável.
“Ou seja, a mudança no padrão do magma, evidenciada por meio de uma sismicidade irregular, marca um ponto sem retorno antes da erupção”, explicou. A nova ferramenta também é capaz de determinar quando o vulcão está perdendo força eruptiva. Especificamente, os cientistas podem identificar a partir do algoritmo uma tendência assintótica, ou seja, um sinal de que o motor que alimenta a erupção está se esgotando. “Essa capacidade de prever a cessação potencial da atividade é vital para a gestão da emergência, pois permite que as autoridades comecem a planejar o retorno da população e o início da reconstrução”, acrescentou o órgão estatal.
Devido ao seu potencial impacto na gestão de futuras erupções vulcânicas, este trabalho foi incluído pelo Escritório das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNDRR, na sigla em inglês) no Preventionweb, sua plataforma global de troca de conhecimento para a gestão de emergências.
O trabalho baseia-se nas informações coletadas em 2021 pela equipe de pesquisa do CSIC durante a erupção do vulcão Tajogaite (Cumbre Vieja, La Palma). Especificamente, combina a modelagem matemática da ocorrência de terremotos associados à ascensão do magma a partir de nove quilômetros de profundidade com o trabalho de campo realizado durante a erupção do vulcão de La Palma.
“Tudo isso permitiu definir sinais associados a mudanças na dinâmica eruptiva, constatando que essa erupção durou 86 dias devido a cinco injeções profundas de magma”, destacou o pesquisador do IGME-CSIC, Raúl Pérez.
De acordo com o especialista, essa nova abordagem abre caminhos para a implementação de sistemas de alerta precoce baseados na análise de séries temporais de terremotos vulcânicos, aplicáveis a redes sísmicas em tempo real durante a vigilância de uma crise sismo-vulcânica.
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