MADRID 30 mar. (EUROPA PRESS) -
A idealizadora do movimento social “Sanidad Pública Segura”, a doutora Tamara Contreras, entregou nesta segunda-feira, no Congresso dos Deputados, mais de 100.000 assinaturas contra o projeto de Estatuto-Quadro acordado pelo Ministério da Saúde e pelos sindicatos não médicos, diante do qual propôs “uma transição” para a eliminação progressiva “dos plantões de 24 horas”.
“Os plantões de 24 horas não podem desaparecer da noite para o dia na grande maioria dos hospitais, efetivamente porque não há pessoal”, destacou ela, acrescentando que não há pessoal porque os médicos estão deixando “a Saúde Pública”. “A Espanha tem muitos médicos, é um dos países com mais médicos por habitante na União Europeia (UE), mas não estamos no sistema de saúde pública”, indicou, ressaltando que isso ocorre “porque as condições de trabalho são péssimas e miseráveis”.
Por esse motivo, e em rejeição ao referido projeto de lei, liderou essa ação por meio da plataforma 'Movements', canal pelo qual se obteve esse apoio em pouco mais de cinco semanas. “O que os sindicatos médicos estão pedindo é o que todos nós pedimos”, afirmou, para esclarecer que não representam uma terceira via para resolver um conflito, mas destacando que, apesar de estar “com eles nas reivindicações”, este movimento é social e cidadão.
“O que está a acontecer com o coletivo é um problema que nos afeta a todos, a toda a população”, continuou esta intensivista, membro do Hospital Mateu Orfila, na localidade menorquina de Mahón, que acrescentou que é necessário “que este Estatuto não seja aprovado” sem que os médicos participem “dessas negociações”. “As condições de trabalho estão colocando todos nós em risco” e “o sistema de saúde”, observou.
Contreras, que ressaltou que são “batas brancas” sem “outra cor além desse branco”, informou que já mantiveram reuniões com os Grupos Parlamentares do SUMAR, ERC e Partido Popular (PP), e que têm agendadas reuniões com os do PSOE e Vox. “Há linhas vermelhas que não podemos aceitar em 2026”, explicou, especificando-as como “a jornada complementar”, que “não tem limites”.
“Tudo isso faz com que os médicos trabalhem de 70 a 90 horas por semana”, prosseguiu, após o que ressaltou que, “com o novo Estatuto, isso também será possível”, já que “os plantões de 24 horas não foram eliminados”. No documento ministerial aparece a proposta de “17 horas de trabalho e, se houver necessidades do Serviço, nos fins de semana poderão ser 24”, pelo que “tudo responde às necessidades do Serviço” e “essa frase nos condena”, assegurou.
Na sua opinião, não são os médicos que devem “cobrir uma má gestão do sistema”. No entanto, e apesar de apoiar a greve semanal marcada até junho, ele afirmou que um médico “o último que quer é uma greve”, pois isso representa, “em termos morais e éticos”, um “esforço tremendo”, além de “um grande esforço econômico”.
'SANIDAD PÚBLICA SEGURA' EXIGE A INTERVENÇÃO DOS MINISTÉRIOS DA FAZENDA E DA FUNÇÃO PÚBLICA
Por tudo isso, e destacando que é necessária “vontade política” e evitar o atual “circo midiático” entre “o Ministério e as comunidades”, ele demonstrou o compromisso de melhorar “as condições de trabalho, resgatar ou reter talentos”. Dessa forma, “ficaremos”, garantiu, ao mesmo tempo em que indicou que “o Ministério da Fazenda e o Ministério da Função Pública também precisam participar de toda essa gestão”.
“As grandes mudanças sociais, os grandes movimentos, todos surgiram da base e foi isso que conseguimos”, afirmou, acrescentando que as assinaturas obtidas representam “um marco” e demonstram que “o coletivo médico está unido, goste-se ou não”. “Não vamos parar”, alertou, após rejeitar, também, a figura do mediador para resolver o conflito, que foi aprovada no último Conselho Interterritorial do Sistema Nacional de Saúde (CISNS).
Por fim, Contreras afirmou que o objetivo é que os médicos possam sentar-se à mesa para negociar suas condições e que a “única maneira” é por meio de “um Estatuto próprio”. “Em nenhum momento, e que fique bem claro, a classe médica deseja se separar do restante dos colegas com quem trabalhamos”, concluiu.
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