Publicado 30/07/2026 14:17

Um modelo de mapeamento cognitivo multimodal adapta a cirurgia cerebral em tempo real à resposta funcional do cérebro

Imagem de uma intervenção.
QUIRÓNSALUD

MADRID 30 jul. (EUROPA PRESS) -

O neurocirurgião do Hospital Ruber Internacional, Jesús Martín-Fernández, desenvolveu um modelo de mapeamento cognitivo multimodal em três etapas para a cirurgia cerebral com o paciente acordado, que permite adaptar o procedimento à resposta funcional do cérebro durante a própria intervenção e, com isso, proteger não apenas a linguagem ou o movimento do paciente, mas também outras funções mais complexas.

“Nosso objetivo já não é apenas que o paciente consiga falar ou mover uma mão após a cirurgia. Queremos preservar aquilo que lhe permite continuar reconhecendo as pessoas, compreender as emoções dos outros, manter seus relacionamentos e conservar seu projeto de vida”, explicou Martín-Fernández, presidente da World Society of Awake Brain Mapping.

Nesse modelo “inovador” de mapeamento cognitivo, o paciente realiza atividades cognitivas enquanto é operado. Conforme detalhado pelo Hospital Ruber Internacional, Marcel, de 32 anos, observou em um tablet uma sucessão de rostos e nomeou as emoções que eles refletiam durante uma fase da intervenção em que lhe era extirpado um tumor cerebral localizado no precuneus direito, uma das regiões mais complexas do cérebro humano.

Suas respostas permitiram ao Dr. Jesús Martín-Fernández identificar em tempo real as redes cerebrais que devem ser preservadas para manter capacidades como a cognição social, a memória autobiográfica, o processamento autorreferencial ou o reconhecimento de emoções.

“O cérebro vai mudando funcionalmente enquanto operamos. Não basta fazer um mapeamento no início da intervenção; precisamos atualizá-lo continuamente. Nosso modelo transforma o mapeamento em um processo dinâmico que evolui ao mesmo tempo que o cérebro”, destacou o especialista.

Conforme ele explicou, o procedimento se desenvolve em três fases, que incluem a identificação dos pontos críticos das redes cerebrais por meio de estimulação elétrica direta, a avaliação contínua de diferentes funções cognitivas durante a ressecção por meio de tarefas adaptadas a cada paciente e a identificação dos “connectome-stop points”, ou seja, os limites funcionais profundos que indicam o momento em que a remoção do tumor deve ser interrompida para evitar a desconexão de circuitos essenciais.

CIRURGIA PERSONALIZADA

Cada intervenção é projetada especificamente para cada paciente, que realiza determinadas tarefas durante a cirurgia de acordo com a localização do tumor, as redes cerebrais envolvidas e as capacidades essenciais para essa pessoa, seja a linguagem, a memória, a atenção, as funções executivas ou o reconhecimento emocional.

Essa abordagem permite individualizar as decisões cirúrgicas para alcançar a máxima ressecção tumoral compatível com a preservação do perfil funcional de cada paciente.

“Cada cérebro é organizado de maneira diferente e cada paciente tem prioridades distintas. Para alguns, será fundamental preservar a linguagem; para outros, reconhecer as emoções de seus entes queridos ou manter as capacidades necessárias para continuar exercendo sua profissão. Essa é a verdadeira medicina personalizada aplicada à neurocirurgia”, destacou Martín-Fernández.

Além da cirurgia de Marcel, naquele dia a equipe também operou uma mulher de 60 anos que estava em acompanhamento há mais de uma década devido a um tumor localizado em uma região crítica para a linguagem e cuja cirurgia havia sido adiada por anos devido ao alto risco de causar sequelas funcionais permanentes.

Graças ao mapeamento cognitivo multimodal em três etapas, foi possível monitorar continuamente não apenas a linguagem, mas também outras funções cognitivas potencialmente comprometidas pela localização e pelas conexões do tumor, permitindo adaptar a cirurgia em tempo real e maximizar a ressecção, preservando o perfil funcional da paciente.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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