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MADRID 2 set. (EUROPA PRESS) -
O medicamento dapagliflozina, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, melhora o prognóstico de pacientes com estenose aórtica grave submetidos à implantação percutânea de válvula aórtica (TAVI, na sigla em inglês), independentemente da função cardíaca, conforme demonstra uma análise ampliada do estudo “DapaTAVI”, coordenado por especialistas do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC) e da Sociedade Espanhola de Cardiologia.
“Até agora, sabíamos que a dapagliflozina melhorava o prognóstico dos pacientes submetidos à TAVI. Agora, constatamos que esse benefício se mantém tanto em pessoas com função ventricular reduzida quanto naquelas com função preservada”, explicou o diretor científico do CNIC, cardiologista do Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz e chefe de grupo no CIBER de doenças cardiovasculares (CIBERCV), Borja Ibáñez.
A nova análise, publicada na revista “European Journal of Heart Failure”, incluiu 1.223 pacientes com estenose aórtica grave tratados com TAVI em 39 hospitais espanhóis. Desses, 17,4% apresentavam fração de ejeção reduzida (igual ou inferior a 40%), enquanto o restante mantinha uma função ventricular superior a 40%.
Após um ano de acompanhamento, os pesquisadores constataram que a dapagliflozina reduzia de forma consistente o risco combinado de morte por qualquer causa ou agravamento da insuficiência cardíaca em todos os grupos analisados, conforme detalhado pelo CNIC.
As análises estatísticas mostraram que o efeito benéfico do tratamento se mantinha em toda a gama de função ventricular, sem diferenças significativas entre pacientes com fração de ejeção reduzida e preservada.
“Uma das descobertas mais relevantes é que o benefício surge logo após a intervenção. Durante os primeiros meses, observamos uma redução significativa dos episódios de insuficiência cardíaca, justamente o período de maior vulnerabilidade para esses pacientes”, precisou o pesquisador do Hospital Clínico Universitário de Valladolid e do CNIC, Ignacio Amat-Santos, coautor do trabalho.
O tratamento também se mostrou seguro em pacientes muito idosos, já que a idade média dos participantes foi de 82 anos, consideravelmente superior à da maioria dos ensaios clínicos anteriores realizados com inibidores de SGLT2. “Demonstrar eficácia e segurança nesse grupo tem enorme relevância clínica”, destacou o diretor-geral do CNIC, Valentín Fuster, coautor do estudo.
Para os pesquisadores, esses resultados reforçam a ideia de que os benefícios cardiovasculares da dapagliflozina transcendem as classificações tradicionais baseadas na fração de ejeção e atuam sobre mecanismos cardiorrenais fundamentais envolvidos na evolução da insuficiência cardíaca.
DOENÇA VALVULAR FREQUENTE EM IDOSOS
A estenose aórtica é uma das doenças valvulares mais frequentes em idosos. O procedimento TAVI, uma alternativa menos invasiva para implantar uma nova válvula por meio de cateterismo, revolucionou o tratamento dessa patologia, mas uma proporção significativa de pacientes continua apresentando insuficiência cardíaca, internações recorrentes e um elevado risco de mortalidade após o procedimento.
Nesse contexto, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2), como a dapagliflozina, demonstraram benefícios cardiovasculares e renais em diversos ensaios clínicos. No entanto, pacientes com valvopatias graves vinham sendo sistematicamente excluídos desses estudos, o que deixava uma importante lacuna no conhecimento clínico.
“O ‘DapaTAVI’ está contribuindo para preencher uma importante lacuna de conhecimento na cardiologia clínica”, destacou Sergio Raposeiras-Roubín, pesquisador do Hospital Universitário Álvaro Cunqueiro de Vigo, do CNIC e coordenador do estudo.
Por sua vez, Borja Ibáñez destacou que a dapagliflozina “surge como uma opção simples, segura e potencialmente aplicável à grande maioria desses pacientes”.
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