Publicado 13/07/2026 06:49

Um juiz obriga a Microsoft a restaurar a conta e a biblioteca de um jogador do Xbox que havia sido hackeado

Archivo - Arquivo - Novo logotipo do Xbox.
XBOX. - Arquivo

MADRID 13 jul. (Portaltic/EP) -

Um jogador do Xbox conseguiu que um juiz ordenasse à Microsoft a restauração de sua conta e de sua biblioteca de videogames digitais depois que um “hack” o deixou sem acesso a ela e que a gigante da tecnologia informou que ele deveria comprar os jogos novamente.

Um jogador de Xbox do Brasil, conhecido no Reddit como Ordo_Liberal, entrou com uma ação contra a Microsoft depois que sua conta sofreu um “hack”, mesmo com a autenticação de dois fatores ativada, e a empresa de tecnologia se recusou a restaurá-la, conforme relatado pelo Engadget.

O desentendimento entre as duas partes começou há três meses, quando o jogador comunicou o “hack” ao suporte técnico da Microsoft e recebeu a confirmação, por meio de uma mensagem automática enviada ao seu e-mail, de que, de fato, havia sido vítima de acesso não autorizado e que as informações haviam sido alteradas.

A Microsoft invocou essa alteração nos dados para justificar que não poderia restaurar a conta do jogador, a quem, como “única opção”, garantiu que só poderia “suspender permanentemente a conta para evitar qualquer uso posterior”. No e-mail, ele também foi informado de que a conta já havia sido suspensa.

Essa situação afetava não apenas sua biblioteca de jogos — que a Microsoft indicou que ele deveria comprar novamente —, mas também os arquivos e documentos que ele mantinha armazenados no serviço em nuvem OneDrive, já que não podiam ser recuperados por estarem criptografados.

Um segundo contato com o suporte técnico permitiu ao jogador constatar que a investigação sobre o “hack” ainda estava em andamento, apesar do e-mail recebido. Então, conforme explica no Reddit, ele decidiu processar a Microsoft para recuperar a conta e seu conteúdo.

Com base no Código Civil do Brasil, um juiz deu razão ao jogador e obrigou a Microsoft a restaurar sua conta no prazo de 15 dias e a pagar 2.000 reais (cerca de 340 euros) a título de indenização pelos danos causados.

A questão não é trivial. A aquisição de um videogame digital não torna o jogador proprietário do produto que compra, já que o pagamento representa a licença de uso do jogo, e não a propriedade, e sua disponibilidade futura fica condicionada à vontade da desenvolvedora de continuar oferecendo conteúdo e mantendo os servidores que o sustentam.

A isso se soma o fato de que uma das gigantes dos videogames, a PlayStation, decidiu abandonar o formato de distribuição física a partir de 2028, com o que os jogadores perderão a possibilidade de comprar o disco, colecionar seus jogos favoritos, voltar a jogá-los no futuro e até mesmo vendê-los caso não queiram conservá-los.

Isso sem esquecer o forte foco que a Microsoft tem dado nos últimos anos ao digital, promovendo a assinatura Game Pass; e que a Nintendo, apesar de manter o formato físico com os cartuchos de jogo, também lança alguns de seus títulos como cartões-chave de jogo (“game-key cards”), que exigem conexão com a internet para o download digital.

Nesse contexto, a conta do jogador, independentemente do ecossistema de jogos, torna-se a única forma que os usuários têm de comprar e jogar seus videogames favoritos, que são armazenados em uma biblioteca digital que pode desaparecer em caso de “hackeamento”, encerramento ou inatividade.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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