MADRID 8 set. (EUROPA PRESS) -
A ginecologista da clínica de reprodução assistida Ginemed Huelva, Dra. Carmen Ruiza, disse na segunda-feira que a reprodução assistida pode ajudar a resolver o problema da baixa taxa de natalidade na Espanha, embora reconheça seu alcance limitado, razão pela qual enfatizou a importância de adotar medidas públicas para ajudar a aliviar a situação.
A especialista explicou que, embora vários estudos demográficos mostrem que a maioria das mulheres espanholas gostaria de ter dois filhos, a taxa real de fertilidade mal ultrapassa 1,12 filho por mulher, um dos números mais baixos da União Europeia, o que pode ser explicado pela insegurança no emprego, pelas dificuldades de acesso à moradia, pela falta de medidas para conciliar a vida familiar e os valores relativos à maternidade.
Nesse contexto, Ruiza enfatizou que a reprodução assistida é uma ferramenta que está sendo cada vez mais usada para enfrentar parte do problema, pois oferece soluções para problemas médicos, facilita a maternidade em idades mais avançadas e abre a possibilidade de ter filhos para pessoas solteiras ou casais homossexuais.
"Os tratamentos geralmente são inacessíveis para todos e podem ser emocionalmente exigentes", reconheceu o Dr. Ruiza, que acredita que essas ferramentas estão longe de substituir as políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e que elas destacam a necessidade de abordar as condições estruturais que atrasam ou impedem a maternidade.
Ela ressaltou que o atraso na idade de começar uma família é parte do problema e que a fertilidade feminina diminui após os 35 anos, o que reduz a possibilidade de conceber naturalmente. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a idade média da maternidade em 2023 era de 32,5 anos.
O PAPEL DAS POLÍTICAS PÚBLICAS NA FERTILIDADE
Por isso, ele destacou que as políticas públicas desempenham um papel "crucial" ao influenciar as condições sociais, econômicas e culturais que permitem que as pessoas formem uma família.
"As políticas públicas não têm apenas um impacto técnico ou econômico, mas também modificam o contexto simbólico e normativo no qual as decisões reprodutivas são tomadas", acrescentou Ruiza, criticando que a falta de medidas eficazes de conciliação tem implicações "de longo alcance" para a taxa de natalidade.
Nesse sentido, ela enfatizou que a baixa taxa de natalidade na Espanha, "muito abaixo" do nível de substituição de gerações, está levando a um envelhecimento progressivo da população, a uma proporção menor da população ativa e a uma pressão crescente sobre os sistemas de aposentadoria e assistência.
Ruiza pediu que sejam seguidas as recomendações do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), cujas propostas incluem a implementação de medidas destinadas a promover a estabilidade no emprego, o acesso à moradia, a promoção de políticas de apoio à família e a adoção de medidas para conciliar a vida profissional e familiar sob a premissa da igualdade de gênero.
Tudo isso representaria uma solução "estrutural e sustentada" para que as pessoas possam alcançar seus "desejos reprodutivos" e conciliar a vida familiar e profissional, em vez de recorrer a incentivos "pontuais" para os nascimentos.
"É urgente repensar as políticas públicas, não como incentivos pontuais, mas como estruturas sustentadas que permitam que as pessoas tenham os filhos que realmente desejam", insistiu.
Por fim, o médico ressaltou a importância de incorporar a educação sobre fertilidade desde cedo, além de promover campanhas que informem sobre os limites biológicos da capacidade reprodutiva.
"Eles informam sobre a saúde reprodutiva, promovem o diagnóstico precoce, oferecem opções como a vitrificação de óvulos e realizam campanhas educativas. Dessa forma, ajudam a fertilidade a ser entendida como parte do planejamento de vida, e não apenas como um problema médico", concluiu Ruiza.
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