RASI BHADRAMANI/ ISTOCK - Arquivo
MADRID 10 fev. (EUROPA PRESS) - Pesquisadores da área de Doenças Infecciosas do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERINFEC) lideraram um estudo no qual foi identificado um maior envelhecimento celular em pessoas com coinfecção crônica pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e pelo vírus da hepatite C (HCV) portadoras do genótipo CC do gene interferon lambda 4, associado à eliminação espontânea do HCV.
O estudo, publicado no Journal of Translational Medicine, foi coordenado pelas pesquisadoras Amanda Fernández Rodríguez e Verónica Briz, em colaboração com o pessoal do CIBERINFEC e com equipes clínicas dos hospitais universitários La Paz, La Princesa e Infanta Leonor.
Os interferões lambda-4 têm um papel fundamental na resposta imunológica contra infecções virais, modulando tanto a imunidade inata quanto a adaptativa. Variações genéticas no mesmo têm sido relacionadas à eliminação espontânea do VHC. Em particular, o genótipo recessivo CC é considerado “favorável”, pois está associado a uma maior probabilidade de eliminação espontânea do vírus.
Os cientistas avaliaram o impacto do genótipo do interferon lambda-4 no perfil imunológico e nos marcadores de senescência, que contribuem para o envelhecimento, em pessoas infectadas pelo VHC e pelo HIV, uma condição que implica um deterioramento adicional do sistema imunológico.
Para isso, analisaram a resposta imune celular, o perfil dos marcadores imunes no plasma e os marcadores de estresse oxidativo, comparando portadores de genótipos favoráveis e desfavoráveis.
Dessa forma, eles mostraram que as pessoas com HIV portadoras do genótipo CC apresentam uma maior produção de citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias, bem como uma maior capacidade de amortecer o estresse oxidativo durante a infecção crônica pelo HCV. No entanto, elas também apresentam um sistema imunológico mais ativo e com maior grau de senescência, especialmente nas populações de linfócitos T citotóxicos (CD8+).
Esses resultados, apresentados anteriormente no congresso internacional Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI) 2025, indicam que as pessoas com HIV portadoras do genótipo CC que desenvolvem infecção crônica por HCV apresentam maior ativação, esgotamento e senescência da resposta imune celular mediada por linfócitos T CD8+.
“A aparente estabilidade dos marcadores imunológicos plasmáticos poderia ocultar, durante o acompanhamento clínico, um estado avançado de esgotamento celular”, acrescentou a primeira autora do artigo, Sonia Arca.
A associação entre o genótipo CC e um maior envelhecimento celular em pessoas com coinfecção crônica por HIV e HCV pode abrir caminho para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. “Essas descobertas podem contribuir para o desenvolvimento de políticas de saúde pública voltadas para o diagnóstico precoce e a aplicação temprana de tratamentos personalizados em pessoas com infecção crônica por HIV e HCV”, destacou Violeta Lara, coautora do estudo.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático