UNSPLASH/KRISTYNA SQUARED.ONE
MADRID 8 set. (Portaltic/EP) -
Um fotógrafo decidiu mostrar imagens de torradeiras sensuais aos “bots” da Meta que tentam extrair conteúdo de seu site profissional, numa tentativa de fazê-los perder tempo e de destacar o valor de seu trabalho.
A prática do “web scraping”, ou extração de dados, se disseminou com a necessidade das gigantes tecnológicas de treinar seus modelos de inteligência artificial (IA), pois permite coletar grandes quantidades de dados da internet. De fato, isso impulsionou uma mudança de tendência, pela qual o tráfego automatizado de “bots” ultrapassou, pela primeira vez, o tráfego proveniente de usuários humanos em nível global.
Essa coleta é feita por rastreadores da web ou programas de extração de dados que, em alguns casos, ignoram as restrições impostas pelos direitos autorais. Para restringir esse acesso, existe o arquivo robots.txt, que permite especificar as partes que o “bot” pode acessar ou restringir totalmente seu acesso.
Normalmente, um “bot” que se depara com o arquivo robots.txt agirá de acordo com as instruções fornecidas, mas há outros mais insistentes, como denunciou o fotógrafo Robert May, que, apesar de ter esse arquivo em seu site profissional — onde hospeda uma amostra de seu trabalho —, detectou que os rastreadores da Meta realizaram mais de um milhão de solicitações em duas semanas.
May possui conhecimentos de informática e programação, que aproveitou para armar uma “armadilha” para os rastreadores da Meta, de modo que, sempre que tentarem acessar seu site, só verão conteúdo sem sentido. Os demais, aqueles que ele considera que fazem bem seu trabalho, estão isentos dessa medida.
Conforme explica em seu blog, ele adicionou um link oculto que só os rastreadores podem ver e que, em vez de permitir que vejam o site como ele realmente é, mostra a eles “uma página com texto fotográfico sem sentido, cheia de links e imagens”. Essas imagens, explica ele, são “uma coleção de imagens idiotas geradas por IA de torradeiras sensuais”.
O objetivo é fazer com que esses ‘bots’ percam tempo, e para isso ele criou a armadilha com a linguagem de programação Elixir, que é executada na máquina virtual do Erlang (BEAM). “É muito, muito bom em escalonamento horizontal por meio de múltiplos núcleos de CPU e servidores, e excelente para equilibrar grandes volumes de trabalho ao mesmo tempo”, afirma.
Com isso, ele conseguiu que as imagens das torradeiras sensuais fossem enviadas aos ‘bots’ “em velocidades de download extremamente lentas”, de 56k. “Envio os cabeçalhos da imagem e, depois, gradualmente, envio o restante da imagem ao longo do tempo”. O fotógrafo afirma que algumas solicitações chegaram a demorar 15 minutos.
Diante do tempo e do esforço que dedicou a esse projeto, May tem certeza: “Cobro dos meus clientes pelos meus serviços de fotografia. Acho justo que as empresas também paguem. O que eu crio é uma extensão de mim, das minhas experiências e do meu tempo, da minha vida neste planeta”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático