Publicado 24/06/2026 13:45

Um estudo sugere uma relação entre o número de partos e alterações cerebrais nos estágios pré-clínicos da doença de Alzheimer

Os resultados não indicam que ter filhos aumente o risco de desenvolver a doença

Archivo - Arquivo - Ressonância magnética do cérebro.
ISTOCK - Arquivo

MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -

O número de partos em mulheres que apresentam um elevado acúmulo cerebral de beta-amilóide, considerado um sinal pré-clínico da doença de Alzheimer, poderia estar relacionado à evolução de certos marcadores cerebrais ao longo do tempo, conforme sugere um estudo do BarcelonaBeta Brain Research Center (BBRC), que não encontrou essa associação em participantes sem patologia amilóide.

“Esses resultados não indicam que ter filhos aumente o risco de desenvolver Alzheimer”, esclareceu Clara Gallay, doutoranda do BBRC e primeira autora do estudo, que enfatizou a necessidade de realizar mais pesquisas para compreender os mecanismos envolvidos.

O trabalho do BBRC concentrou-se no possível impacto da gravidez na doença de Alzheimer, levando em conta que a doença afeta mais as mulheres — que representam dois em cada três diagnósticos —, o que impulsiona a investigação da relação entre variáveis exclusivamente femininas.

Especificamente, a gravidez provoca profundas alterações hormonais, imunológicas e até mesmo cerebrais, chegando a modificar o hipocampo, uma região cerebral fundamental para a memória e uma das primeiras a ser afetada pela doença de Alzheimer. Devido a essa elevada exigência fisiológica, considera-se que a gestação poderia influenciar os processos de envelhecimento e contribuir para explicar parte das diferenças entre homens e mulheres no desenvolvimento da doença.

Os resultados do estudo, publicados na revista “Neurology”, sugerem que o histórico reprodutivo relacionado à gravidez poderia interagir com algumas alterações cerebrais que ocorrem nas fases mais precoces da doença de Alzheimer, o que reforça a importância de incorporar fatores específicos relacionados às mulheres na pesquisa sobre a prevenção e a detecção precoce da doença.

Para a realização do estudo, o BBRC contou com dados de 254 mulheres na pós-menopausa da coorte “ALFA+”, promovida pela Fundação La Caixa, que acompanha voluntárias sem comprometimento cognitivo e, em sua maioria, descendentes em primeiro grau de uma pessoa com Alzheimer.

RESULTADOS PRELIMINARES

A pesquisadora de pós-doutorado do BBRC e autora correspondente do estudo, Anna Brugulat, enfatizou que os resultados obtidos são “preliminares” e requerem confirmação por meio de pesquisas com coortes mais amplas. “Para podermos estabelecer causalidade, precisamos de mais estudos, com maior tamanho amostral, medições hormonais diretas e acompanhamentos mais prolongados”, afirmou.

Apesar de ser um primeiro passo, Brugulat mostrou-se convencida de que compreender melhor o papel dos fatores reprodutivos nas fases mais precoces do Alzheimer é “fundamental” para avançar em direção a estratégias de prevenção mais personalizadas.

O BBRC destacou a importância do estudo, pois, conforme precisou, apenas duas pesquisas anteriores haviam abordado a relação entre o número de partos e a função cognitiva, incluindo biomarcadores específicos da doença de Alzheimer.

A pesquisa recente marca, além disso, o início de um programa de trabalho focado em compreender melhor como o histórico reprodutivo e outras variáveis específicas do sexo feminino podem influenciar os processos cerebrais durante os estágios iniciais da doença. As hipóteses incluem fatores biológicos, como as alterações hormonais acumuladas durante as gestações, bem como aspectos sociais ou de estilo de vida relacionados à criação dos filhos.

Os pesquisadores acreditam que a identificação das variáveis que influenciam a trajetória cognitiva das mulheres ajudará a otimizar o diagnóstico precoce e a consolidar uma medicina mais precisa e personalizada no futuro, especialmente se for possível obter conhecimento sobre os estágios iniciais da doença de Alzheimer, quando ainda há oportunidade de intervenção.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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