MADRID 9 jan. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores da Universidade de Genebra, dos Hospitais Universitários de Genebra (Suíça), da Universidade de Maastricht (Países Baixos) e do Centro Alemão de Diabetes (Alemanha) encontraram evidências sobre os benefícios metabólicos em pacientes com diabetes tipo 2 da exposição à luz natural, em comparação com a luz artificial.
De acordo com o estudo, publicado na revista Cell Metabolism, é comum que as pessoas passem entre 80% e 90% do seu tempo em ambientes fechados. Dado que a luz natural é o principal sincronizador do relógio biológico, a exposição crônica insuficiente à mesma pode ser considerada um fator de risco para o aumento da incidência de doenças metabólicas, como a diabetes tipo 2.
Para este trabalho, os pesquisadores compararam os efeitos metabólicos da exposição à luz natural e à luz artificial durante o horário de trabalho, das 8h às 17h, em oito mulheres e cinco homens com diabetes tipo 2. Especificamente, os 13 participantes foram expostos a um ambiente de escritório simulado com luz natural e outro com luz artificial durante 4,5 dias e um total de 103 horas consecutivas, em cada um dos cenários, com um intervalo de pelo menos quatro semanas entre ambos.
“Este modelo experimental nos permite examinar as mesmas pessoas em ambas as condições, o que limita a variabilidade individual de nossos resultados”, explicou o professor associado da Universidade de Maastricht Joris Hoeks, codiretor do estudo. “Com exceção da fonte de luz, todos os outros parâmetros de estilo de vida (refeições, sono, atividade física, tempo diante de telas, etc.) foram mantidos estritamente idênticos”, observou.
A partir desse experimento, os pesquisadores observaram que, quando expostos à luz natural, os pacientes mantiveram seus níveis de glicose no sangue dentro da faixa normal por mais horas ao dia, com menor variabilidade. Além disso, seu nível de melatonina foi ligeiramente mais alto à noite, e o metabolismo oxidativo das gorduras também melhorou.
Para compreender melhor as mudanças positivas observadas no metabolismo corporal, os cientistas coletaram amostras de sangue e músculo dos voluntários antes, durante e após cada experimento com luz natural e artificial. “Analisamos a regulação dos relógios moleculares em culturas de células musculares esqueléticas, juntamente com os lipídios, metabólitos e transcrições genéticas no sangue. Em conjunto, os resultados mostram claramente que a luz natural influencia o relógio interno e o metabolismo. Isso poderia explicar a melhor regulação do açúcar no sangue e a melhor coordenação entre o relógio central do cérebro e os relógios dos órgãos”, explicou a professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de Genebra e dos Hospitais Universitários de Genebra, Charna Dibner, que também co-dirigiu o estudo.
Os autores destacaram que este trabalho representa a “primeira evidência” do efeito benéfico da luz natural, em comparação com a artificial, em pacientes com diabetes tipo 2, embora reconheçam a limitação que implica a pequena coorte de participantes. Quanto às opções futuras de investigação, o autor principal, Jan-Frieder Harmsen, apontou para o estudo destas variáveis em condições reais, equipando voluntários com detetores de luz e medidores de glicose durante várias semanas. Além disso, Harmsen salientou que este trabalho alerta para o impacto que a arquitetura atual dos edifícios tem na saúde humana, um aspeto que muitas vezes passa despercebido.
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