Eduardo Sanz - Europa Press - Arquivo
MADRID 31 mar. (EUROPA PRESS) -
Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis (EUA) revelou que a inalação de substâncias químicas utilizadas em desinfetantes e produtos de limpeza, conhecidas como compostos de amônio quaternário, pode ser muito mais prejudicial do que a ingestão dessas substâncias.
A pesquisa, realizada em ratos, detectou lesões pulmonares significativas com níveis de exposição a compostos de amônio quaternário no sangue semelhantes aos observados em humanos.
Os resultados, publicados na revista “Environmental Science and Technology”, levantam questões sobre se a exposição ao ar proveniente de aerossóis de desinfetantes e produtos de limpeza poderia contribuir para doenças respiratórias como a asma ou a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
“O resultado surpreendente deste estudo foi que esses compostos, quando inalados, causaram 100 vezes mais danos pulmonares e 100 vezes mais letalidade em comparação com a ingestão oral”, destacou o autor principal, Gino Cortopassi, bioquímico e farmacologista da Faculdade de Medicina Veterinária Weill da UC Davis.
Os compostos de amônio quaternário têm sido amplamente utilizados como desinfetantes desde a década de 1940. Embora não sejam muito voláteis, ou seja, não gerem vapores por si mesmos, são comumente usados em aerossóis desinfetantes, que podem ser inalados. Esses compostos também são encontrados em alguns herbicidas, desinfetantes para os olhos, sprays nasais, enxaguantes bucais, lenços para secadora e amaciantes de roupas.
Embora antes se acreditasse que esses compostos não chegassem à corrente sanguínea, em 2021 Cortopassi e seus colegas descobriram que 80% dos participantes do estudo apresentavam concentrações detectáveis de compostos de amônio quaternário no sangue.
Eles também observaram que os participantes com os níveis totais mais elevados de compostos de amônio quaternário no sangue apresentavam os níveis mais baixos de energia em suas mitocôndrias, as partes das células responsáveis pela produção de energia. Como os compostos de amônio quaternário não penetram bem na pele nem no intestino, os pesquisadores consideraram que a inalação desses compostos poderia explicar por que essas substâncias químicas apareciam no sangue humano.
LIGAÇÃO COM A EXPOSIÇÃO HUMANA
O novo estudo revela que, quando os ratos inalam doses de compostos de amônio quaternário que danificam seus pulmões, a quantidade dessas substâncias químicas que chega ao sangue é semelhante à encontrada no sangue humano. Isso sugere que a inalação dessas substâncias químicas — como as presentes em produtos de limpeza em aerossol — poderia ser uma das vias pelas quais elas entram no corpo humano.
“Devemos nos perguntar se realmente queremos ter todos esses aerossóis desinfetantes à base de compostos de amônio quaternário no meio ambiente, dada a sua comprovada toxicidade pulmonar em ratos”, destacou Cortopassi.
O estudo foi financiado pelo Instituto Nacional de Ciências da Saúde Ambiental dos Institutos Nacionais de Saúde.
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