POL FERNÁNDEZ-MATÓ // IGNACIO MÁRQUEZ-CORRO
MADRID 20 jul. (EUROPA PRESS) -
Um estudo internacional liderado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) revelou como pequenas samambaias da Oceania chegaram a acumular até cinquenta vezes mais DNA do que os seres humanos.
Uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Instituto Botânico de Barcelona (IBB, CSIC-CMCNB) e do Real Jardim Botânico (RJB) de Madri reconstruiu a história evolutiva do Tmesipteris, um gênero de samambaias que possui os maiores genomas descritos até o momento.
O estudo, publicado na revista *Molecular Phylogenetics and Evolution*, revela que esses genomas gigantes não são resultado de um único evento evolutivo, mas da combinação de vários processos acumulados ao longo de milhões de anos.
Para descobrir como essas samambaias chegaram a acumular quantidades recordes de DNA, a equipe analisou centenas de genes e reconstruiu a história evolutiva do grupo.
Os resultados revelam que os genomas gigantes de Tmesipteris são o produto de milhões de anos de acumulação de DNA por meio de diversos mecanismos evolutivos, e não de um único evento excepcional.
“Nosso estudo evidencia que os fatores que resultam no gigantismo genômico são múltiplos”, introduz Jaume Pellicer, cientista titular do CSIC no Instituto Botânico de Barcelona e líder da pesquisa.
O pesquisador acrescenta que “esses mecanismos vão desde multiplicações completas do genoma e o acúmulo de genes saltadores até cruzamentos entre indivíduos de espécies diferentes ou a dispersão a longa distância, entre ilhas”.
O estudo também mostra que a geografia da Oceania, região onde habita esse gênero, foi fundamental para a evolução da Tmesipteris. A reconstrução da história indica que a dispersão entre ilhas e a colonização de novos territórios favoreceram o surgimento de novas espécies e combinações genéticas.
“As ilhas da região atuaram como cenários fundamentais para a evolução do Tmesipteris. A história do grupo parece estar marcada por episódios de dispersão entre ilhas e pela colonização de novas regiões, o que provavelmente favoreceu sua diversificação”, esclarece o pesquisador.
O trabalho também destaca a importância das coleções científicas para o estudo de espécies provenientes de regiões remotas e de difícil acesso. Para reconstruir a evolução dessas samambaias, a equipe combinou amostras conservadas em herbários históricos com ferramentas genômicas e computacionais de última geração.
“A combinação de dados provenientes de herbários centenários com novas ferramentas genômicas e computacionais é uma abordagem em ascensão para o estudo da biodiversidade vegetal”, explica Lisa Pokorny, pesquisadora Ramón y Cajal do RJB, que conclui que, “no entanto, é importante destacar a necessidade de otimizar os protocolos existentes para que funcionem da melhor maneira possível em espécies com genomas excepcionalmente grandes”.
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