MADRID 21 jul. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores espanhóis membros da Rede de Doenças Inflamatórias (RICORS-REI) participaram de um estudo, publicado na revista “Insights into Imaging”, que propõe um catálogo padronizado e interoperável para descrever os biomarcadores de imagem com uma linguagem comum e facilitar sua integração na pesquisa e na prática clínica.
Os biomarcadores de imagem são aqueles obtidos por meio de exames de imagem, como a ressonância magnética (RM), a tomografia computadorizada axial (TC) ou a tomografia por emissão de pósitrons (PET), e servem para avaliar doenças ou a resposta ao tratamento. Atualmente, eles desempenham um papel cada vez mais relevante na prática clínica, oferecendo um tratamento personalizado a cada paciente em combinação com outras tecnologias
Os cientistas apontam que os biomarcadores costumam ser descritos de forma heterogênea entre hospitais, especialidades médicas e órgãos reguladores, o que dificulta sua comparação e reutilização entre centros. Segundo os autores, essa heterogeneidade representa um “grande obstáculo” para alcançar a medicina de precisão.
“A principal vantagem é que permite que os biomarcadores de imagem sejam descritos e documentados de maneira homogênea, independentemente do hospital, da plataforma tecnológica ou da área clínica em que sejam utilizados”, explicam os doutores Pablo Rodríguez e Paula Doria, do Grupo de Pesquisa Biomédica em Imagem (GIBI2 30) do Instituto de Pesquisa em Saúde La Fe (IIS La Fe).
“A padronização ajuda a garantir que os biomarcadores sejam medidos e interpretados de maneira consistente entre diferentes centros. Isso reduz a variabilidade das metodologias, facilita a comparação de resultados e melhora a geração de evidências científicas sólidas para avaliar novos tratamentos”, acrescenta Rodríguez.
Os pesquisadores afirmam que a proposta do catálogo também pode contribuir para o desenvolvimento da medicina personalizada. Assim, eles indicam que dispor de descritores comuns permite saber com precisão o que cada biomarcador mede, em que contexto clínico ele é útil e qual é o nível de evidência científica que respalda seu uso. “Isso poderia favorecer uma seleção mais adequada de biomarcadores para cada paciente e uma tomada de decisões clínicas mais informada”, acrescentam.
A inteligência artificial é outra área que poderia ser beneficiada. Os algoritmos precisam de grandes quantidades de dados bem caracterizados para serem treinados e validados de forma confiável. “A interoperabilidade é um requisito fundamental. Os algoritmos precisam de dados bem definidos, comparáveis e rastreáveis para que possam ser treinados, validados e utilizados de forma confiável. Um catálogo padronizado facilita o intercâmbio de informações entre instituições, melhora a reprodutibilidade dos modelos e aumenta a transparência”, ressalta Borrell.
O OBSTÁCULO DA FRAGMENTAÇÃO
Os cientistas destacam que, apesar de todos os possíveis benefícios, a incorporação dos biomarcadores de imagem à prática clínica e à pesquisa ainda está em fase inicial. Segundo os autores, uma das principais razões é a fragmentação da informação: os dados relevantes sobre cada biomarcador costumam estar dispersos entre artigos científicos, bancos de dados e documentos técnicos.
O resultado é que dois pesquisadores podem estar trabalhando com o mesmo biomarcador utilizando descrições diferentes, ou que um hospital tenha dificuldades para reproduzir os resultados obtidos em outro centro.
A proposta dessa equipe parte de um conceito que está transformando toda a pesquisa biomédica: os princípios FAIR, estabelecidos em 2016 por um grupo de pesquisadores biomédicos liderado pelo Dr. Mark D. Wilkinson. FAIR é a sigla para “Findable, Accessible, Interoperable and Reusable” (localizável, acessível, interoperável e reutilizável). Trata-se de um conjunto de critérios projetados para garantir que os dados científicos possam ser facilmente localizados, compartilhados entre diferentes sistemas e reutilizados em novas pesquisas.
Embora esses princípios sejam cada vez mais aplicados a bancos de dados genômicos ou clínicos, os autores defendem que os biomarcadores de imagem também precisam se adequar a essa filosofia.
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