SEVILHA 13 jan. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores da Universidade de Sevilha e da Universidade de Huelva realizaram uma análise exaustiva da região do Estreito de Gibraltar, onde se encontra a maior concentração de sítios de arte rupestre com pinturas e gravuras pré-históricas que abrangem todo o espectro da arte rupestre da humanidade, desde seus primórdios até o período histórico recente. Por isso, propõem medidas de proteção global, como as figuras de Geoparque ou Patrimônio Mundial da UNESCO.
Em uma nota, a Universidade de Sevilha destacou que isso confere à zona um valor excepcional para investigar a substituição dos grupos de caçadores-coletores-pescadores por sociedades tribais ao longo do tempo, bem como a transição dos neandertais para o Homo sapiens em ambos os lados do Estreito.
Os resultados da pesquisa foram publicados em uma nova edição da revista Quaternary, liderada por pesquisadores da Universidade de Sevilha (María Guadalupe Monge Gómez e María Isabel Carretero León) e da Universidade de Huelva (Francisco Ruiz Muñoz).
O objetivo do estudo centra-se em definir e analisar as características inerentes à Arte do Sul, tais como o seu contexto geográfico e geológico, a elevada densidade de enclaves, a presença de mãos paleolíticas, o intervalo temporal que abrange, a ampla variedade de técnicas estilísticas com sobreposições e a reutilização em diferentes épocas de numerosos abrigos.
Segundo a Universidade de Sevilha, trata-se de um fenômeno único no mundo que se manifesta em uma região geográfica específica, caracterizada por uma singularidade inerente e por condições ambientais específicas que exigem uma abordagem holística, uma vez que se desenvolve apenas na unidade geológica denominada Unidade do Aljibe, incluída na sequência turbítica do tipo flysch das Unidades do Campo de Gibraltar (Cordilheira Bética), cuja meteorização e erosão nessa localização geográfica específica foi capaz de gerar os abrigos onde se localiza. O trabalho também analisou a situação atual da Arte Sureña e apontou os principais perigos que a ameaçam, como as mudanças climáticas (incêndios, erosão ou seca) e a falta de proteção e investigação. Por isso, os autores propõem medidas de proteção global, como as figuras de Geoparque ou Patrimônio Mundial da UNESCO, e instam as administrações a proteger os enclaves com medidas legais eficazes que os preservem da deterioração e perda para as gerações futuras.
Nesse sentido, indicou que é o único foco de arte rupestre intercontinental do mundo, localizado no sul da Península Ibérica (Cádiz) e no norte de Marrocos, com uma concentração muito elevada de estações de arte rupestre por quilômetro quadrado. os sítios arqueológicos da zona abrangem todo o percurso simbólico da humanidade, desde os primórdios da arte rupestre até aos períodos históricos, incluindo também a presença das primeiras grafias. Além disso, salientaram que é o único conjunto de arte rupestre ao ar livre com cronologias tão antigas, contando com as mãos negativas mais meridionais de todo o continente europeu e também as únicas realizadas sobre arenito ao ar livre. Por tudo isso, para os autores do estudo, é “inconcebível que ainda esteja desvalorizado, desprotegido e à sua sorte”, e apelaram às administrações para sua proteção.
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