MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -
Um estudo internacional no qual participaram pesquisadores da Universidade Europeia concluiu que muitos centenários mantêm características imunológicas próprias de pessoas muito mais jovens, o que oferece novos dados sobre a resistência imunológica das pessoas que ultrapassam os 100 anos.
Este trabalho, publicado na revista especializada 'Nature' e realizado para compreender por que algumas pessoas atingem essa idade com notável capacidade funcional e maior resistência a doenças associadas ao envelhecimento, revisou as evidências científicas disponíveis sobre o sistema imunológico desses cidadãos.
De acordo com esta pesquisa, as características mencionadas são ainda mais marcantes em semisupercentenários, que são pessoas com idades entre 105 e 109 anos, e supercentenários, que são aqueles que atingem os 110 anos. Nesses casos, seus perfis imunológicos podem se assemelhar, em alguns aspectos, aos de adultos muito mais jovens.
“O sistema imunológico de muitos centenários apresenta características que ajudam a explicar uma vida mais longa e uma maior resistência contra doenças associadas ao envelhecimento”, insistiu o professor da Faculdade de Medicina, Saúde e Esportes da Universidade Europeia, o Dr. Alejandro Lucía, cuja pesquisa conta com financiamento do Wereld Kanker Onderzoek Fonds (WKOF) no âmbito do programa de subsídios do Fundo Mundial para a Pesquisa do Câncer.
A LONGEVIDADE EXTREMA NÃO RESPONDE A UM ÚNICO MECANISMO
Em sua opinião, as evidências analisadas indicam que “a longevidade extrema não se deve a um único mecanismo, mas a uma adaptação coordenada do organismo que permite preservar funções imunológicas essenciais por mais tempo”. Assim, observou-se uma menor ativação de mecanismos inflamatórios patológicos, uma maior capacidade de autofagia celular e assinaturas transcricionais, epigenéticas e microbianas compatíveis com uma melhor preservação da função imunológica.
Além disso, observou-se uma melhor vigilância imunológica, uma diversidade microbiana intestinal mais preservada e padrões de expressão gênica em células imunes circulantes que se assemelham aos de pessoas mais jovens. “Os dados disponíveis sugerem que essas pessoas conseguem modular melhor os processos ligados à inflamação crônica de baixo grau, à autofagia celular ou à vigilância imunológica, o que poderia abrir novos caminhos para compreender como envelhecemos”, afirmou Pedro Carrera-Bastos, doutorando da Faculdade de Ciências Biomédicas e da Saúde da Universidade Europeia.
Por sua vez, o pesquisador sênior deste centro acadêmico, Borja del Pozo, destacou que “estudar centenários, semicentenários e supercentenários oferece uma oportunidade única para identificar fatores que não apenas contribuam para viver mais anos, mas para fazê-lo com melhor saúde e maior funcionalidade”.
Participaram deste estudo, pela universidade espanhola, os já citados Carrera-Bastos, Del Pozo e Lucía, bem como Abel Plaza-Florido, Inmaculada Pérez-Prieto, Carmen Fiuza-Luces, Shlomit Radom-Aizik, Claudio Franceschi, Alejandro López-Soto e Carlos López-Otín, dentro de uma equipe científica vinculada às universidades de Irvine, na Califórnia (Estados Unidos), de Oviedo, de Nebrija (Madri) e de Lobachevsky (Rússia), aos hospitais universitários Hvidovre de Copenhague (Dinamarca) e 12 de Outubro de Madri, e ao Centro de Investigação Biomédica em Rede de Fragilidade e Envelhecimento Saudável (CIBERFES).
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