Publicado 24/07/2026 09:32

Um estudo internacional com a participação da UPM revela o mecanismo que o cérebro utiliza diante da incerteza

Um estudo internacional com a participação da UPM revela o mecanismo que o cérebro utiliza diante da incerteza
UPM

MADRID 24 jul. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe do Laboratório de Neurociência Clínica da Universidade Politécnica de Madri (UPM) participou de um estudo internacional que revelou o mecanismo que o cérebro utiliza para se preparar antes que algo imprevisível ocorra, funcionando como um “radar” contra a incerteza.

Este trabalho, publicado na revista especializada “Nature Neuroscience”, revelou que a chave desse sistema de alerta precoce está no hipocampo, uma estrutura profunda do cérebro tradicionalmente conhecida por armazenar memórias. Assim, constatou-se que essa região emite rajadas ultrarrápidas de atividade elétrica, chamadas de “ripples” (ou ondulações de alta frequência), que atuam como um filtro estratégico sobre o córtex visual.

“Foi exibida aos participantes uma série de imagens com padrões visuais”, indicou o diretor do referido laboratório desse centro acadêmico de Madri e um dos coautores desta pesquisa, Bryan Strange, que explicou que “algumas sequências de imagens eram totalmente previsíveis, enquanto outros eram caóticos e altamente incertos”.

RESPOSTA EM TRÊS ETAPAS

Com isso, confirmou-se que a resposta do cérebro se articula em três etapas, sendo a primeira a detecção do caos. “Quando o ambiente se torna imprevisível, o hipocampo percebe isso imediatamente e começa a emitir ‘ripples’ com maior frequência e duração, muito antes que o próximo estímulo apareça”, afirmou esse especialista, acrescentando que “essas ondas viajam, em seguida, até o córtex visual e suprimem a atividade das ondas gama associadas à incerteza do ambiente”.

“Ao ‘silenciar’ esse ruído de fundo, o cérebro se otimiza”, continuou ele, acrescentando que, por fim, o cérebro “reage de maneira muito mais rápida do que o normal aos estímulos”. “Assim que o estímulo visual surpreendente (inesperado) aparece, a preparação prévia proporcionada pelos ‘ripples’ modula as respostas gama de ‘erro de previsão’ nas áreas visuais de nível superior (como o córtex fusiforme), permitindo que o cérebro responda de forma mais rápida, intensa e eficiente”, explicou.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores utilizaram registros intracranianos diretos com eletrodos implantados no cérebro humano para medir simultaneamente a atividade elétrica no hipocampo e no córtex visual dos participantes. Essa atividade “poderia servir como biomarcador para o diagnóstico precoce de doenças neurológicas ou psiquiátricas nas quais a comunicação entre o hipocampo e o córtex está alterada (como Alzheimer, esquizofrenia ou epilepsia)”, concluiu Strange.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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