Publicado 22/01/2026 08:57

Um estudo indica que a extensão das algas vermelhas na Antártida é maior do que o esperado.

Archivo - Arquivo - Cientistas com drone na Antártida.
CSIC - Arquivo

CÁDIZ, 22 jan. (EUROPA PRESS) - Um estudo liderado pelo Instituto de Ciências Marinhas da Andaluzia (Icman-CSIC), com a participação da Universidade de Cádiz (UCA) e da Universidade do País Basco, revela que as proliferações (blooms) de algas vermelhas na Antártida são muito mais extensas do que o previsto. Os resultados, publicados na revista Communications Earth & Environment, indicam que essas algas, que chegam a cobrir mais de 10% do arquipélago das Ilhas Shetland do Sul, aceleram o derretimento do gelo ao reduzir a capacidade da superfície de refletir a radiação solar.

Em uma nota, o CSIC explicou que algas vermelhas é o nome genérico dado a certas espécies de microalgas que, ao crescerem durante o verão austral (de dezembro a fevereiro), conferem à neve uma leve coloração avermelhada, dando origem ao fenômeno conhecido como “neve rosa”.

Além disso, o CSIC destacou que o novo trabalho demonstra a ampla extensão da proliferação dessas algas na Antártida. Especificamente, o estudo se concentrou em analisar seu crescimento nas Ilhas Shetland do Sul, um arquipélago antártico localizado a cerca de 120 quilômetros do continente gelado e fundamental para a pesquisa polar espanhola, pois abriga as bases antárticas espanholas Gabriel de Castilla (Ilha Decepción) e Juan Carlos I (Ilha Livingston).

Os resultados, de acordo com o CSIC, mostram que, durante o verão austral, essas microalgas podem ocupar entre 3% e 12% de cada ilha, o que corresponde a uma superfície máxima de 176 quilômetros quadrados, uma extensão muito maior do que a documentada até o momento. A equipe de pesquisa registrou o fenômeno tanto em geleiras quanto em neves costeiras e calotas polares.

“As algas vermelhas sobre a neve contribuem para reduzir o albedo superficial, a capacidade da superfície de refletir a radiação solar, em até 20%, o que favorece a absorção de calor, acelerando o derretimento da neve e do gelo”, segundo Alejandro Román, pesquisador do CSIC no Instituto de Ciências Marinhas da Andaluzia e primeiro autor do trabalho.

Nesse sentido, acrescentou que “esse processo gera um preocupante ciclo de retroalimentação positiva em um contexto de mudança climática, já que o aumento do degelo cria condições ainda mais favoráveis para a proliferação dessas algas”.

O estudo, que abrange um período de seis anos (2018-2024), detecta também uma tendência ascendente na presença destas microalgas, “que ocupam cada ano uma superfície maior e que, além disso, a sua presença se prolonga durante mais tempo no verão austral”, segundo Román. Ao mesmo tempo, o pesquisador enfatizou a necessidade de realizar mais estudos e considerar séries temporais mais amplas para confirmar essas observações. O estudo combina de forma inovadora dados de teledeteção por satélite (Sentinel-2) com informações captadas por um sensor hiperespectral operado a partir de um drone, o que permitiu captar as propriedades espectrais da alga vermelha através de diferentes comprimentos de onda.

Isso permitiu criar o primeiro banco de dados hiperespectral dessas florações massivas de algas vermelhas na Antártida, disponível em acesso aberto para toda a comunidade científica. “Esses dados são fundamentais para identificar e classificar esse tipo de cobertura terrestre em imagens de teledeteção”, destacou Román.

Nesse sentido, ele explicou que, a partir dessas informações, a equipe aplicou técnicas de aprendizado automático (machine learning) por meio de análise supervisionada para identificar e mapear a distribuição espacial das algas vermelhas em 45 imagens de satélite sem nuvens, cobrindo todo o arquipélago das Ilhas Shetland do Sul (Antártida).

“Esta abordagem permitiu-nos avaliar a extensão real das proliferações em grande escala, algo que até agora não tinha sido possível com este nível de detalhe”, explicou Román, que salientou que os resultados “mostram que estas proliferações não são fenómenos locais isolados, mas processos alargados que podem ter um impacto significativo no equilíbrio energético e nas dinâmicas de degelo nas zonas costeiras antárticas”.

O CSIC afirmou que os resultados do estudo fornecem informações essenciais para acompanhar a evolução dos ecossistemas polares e compreender melhor o papel que esses microrganismos desempenham nos processos de degelo e na resposta da Antártida ao aquecimento global.

Além disso, o trabalho estabelece as bases para o desenvolvimento de sistemas de monitoramento contínuo dessas algas por meio de observação remota e inteligência artificial, uma ferramenta fundamental para avaliar os impactos ecológicos das mudanças climáticas em regiões polares especialmente vulneráveis.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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