Publicado 17/07/2026 07:44

Um estudo identifica cerca de vinte genes associados à depressão e à ansiedade, regulados pelo RBFOX1

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MADRID 17 jul. (EUROPA PRESS) -

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Barcelona (UB) identificou 19 genes que poderiam aumentar a suscetibilidade à depressão, à ansiedade e a traços como a irritabilidade ou o neuroticismo, todos regulados pelo gene RBFOX1, que atuaria como eixo central de uma rede genética envolvida no funcionamento cerebral.

Segundo a equipe de pesquisa, essa sobreposição genética entre vários transtornos e traços poderia ajudar a explicar por que eles frequentemente aparecem juntos na mesma pessoa. “Esses resultados oferecem uma nova visão dos mecanismos biológicos compartilhados entre a depressão e diversos transtornos associados, e podem contribuir no futuro para o desenvolvimento de biomarcadores e tratamentos mais personalizados”, explica a equipe.

O estudo foi coordenado por Bru Cormand e Noèlia Fernàndez Castillo, do Departamento de Genética, Microbiologia e Estatística da Faculdade de Biologia e do Instituto de Biomedicina da UB (IBUB), o Instituto de Pesquisa Sant Joan de Déu (IRSJD) e a Área de Doenças Raras do CIBER (CIBERER).

No trabalho, publicado na revista “Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry”, também participaram pesquisadores da Universidade Goethe de Frankfurt (Alemanha).

O papel do gene RBFOX1 como regulador central de uma rede de genes implicaria que esse gene não atuaria sozinho nem teria um efeito único, mas funcionaria “como uma espécie de maestro de orquestra, que ajuda a coordenar quando e como muitos outros genes envolvidos no funcionamento do cérebro são ativados ou processados”, explicam os pesquisadores.

Segundo eles, essa descoberta é especialmente relevante em transtornos psiquiátricos complexos, uma vez que condições como depressão, ansiedade ou neuroticismo geralmente não dependem de um único gene, mas de pequenos efeitos acumulados de centenas ou milhares de genes. “Se um regulador central como o RBFOX1 estiver alterado, isso poderia causar um efeito em cadeia sobre vários processos ao mesmo tempo, como o desenvolvimento neuronal, a comunicação entre neurônios e a regulação da neurotransmissão, o que explicaria por que esses transtornos costumam aparecer juntos”, destacam Cormand e Fernàndez.

IMPULSIONAR TRATAMENTOS PERSONALIZADOS

Esta pesquisa integra informações provenientes de estudos de associação em escala genômica (GWAS, na sigla em inglês), de previsão da expressão gênica no cérebro, de análise de redes moleculares e de estudos de doenças raras, para priorizar genes que contribuem para a depressão e, pelo menos, para outra característica relacionada.

“O estudo de doenças raras traz uma perspectiva complementar, pois permite identificar genes nos quais mutações de grande efeito produzem fenótipos que incluem depressão ou ansiedade. Isso reforça a plausibilidade biológica dos genes identificados nos transtornos comuns e ajuda a priorizar candidatos relevantes”, destacam.

A partir dessa análise abrangente, foram identificados dezenove genes regulados pelo RBFOX1 que seriam especialmente relevantes para a depressão e outras características que aparecem com frequência nos pacientes. Desse grupo, os pesquisadores destacam, além do RBFOX1 como nó central, três genes que também regulam a expressão de outros genes (SP4, TCF4 e PAX6), bem como o gene CADM2.

“Além de estarem associados à depressão, esses genes também foram relacionados a outros transtornos: o RBFOX1 está associado a vários transtornos psiquiátricos; o CADM2 está envolvido em dependências e outros transtornos psiquiátricos; o TCF4 foi relacionado à esquizofrenia e à insônia, e tanto o SP4 quanto o PAX6 foram encontrados alterados em modelos de camundongos submetidos a estresse”, detalham Cormand e Fernàndez.

Esses resultados aprimoram a compreensão dos mecanismos biológicos envolvidos na depressão e nos transtornos relacionados e, no futuro, poderão contribuir para identificar biomarcadores de risco, melhorar a estratificação dos pacientes e facilitar o desenvolvimento de tratamentos direcionados a vias moleculares específicas. Nesse sentido, os pesquisadores destacam que “intervir em mecanismos compartilhados poderia beneficiar simultaneamente diversos transtornos que frequentemente se apresentam juntos nos pacientes”.

Apesar da relevância dessas descobertas, os pesquisadores destacam que será necessário validá-las em outras amostras e explorar as diferenças entre homens e mulheres, dada a maior prevalência da depressão entre elas. Eles também propõem a realização de experimentos funcionais — estudos em laboratório que analisam como um gene específico atua e quais são os efeitos de sua alteração — em genes como o CADM2, o que permitiria descobrir quais mecanismos moleculares estão envolvidos na origem da depressão e dos transtornos a ela associados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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