MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
O estudo multicêntrico espanhol “DIADEMA” demonstrou que a Inteligência Artificial (IA) pode prever os resultados dos pacientes com edema macular diabético após o tratamento, o que foi detalhado no âmbito da celebração do 29º Congresso da Sociedade Espanhola de Retina e Vítreo (SERV).
Especificamente, este projeto aplicou a IA para analisar imagens da retina, medir com precisão o líquido acumulado e utilizá-lo como indicador preditivo da evolução da visão do paciente, cujos resultados foram publicados na revista especializada “British Journal of Ophthalmology”. Para isso, foram estudados dados da prática clínica realizada em vários hospitais do território nacional.
Assim, desenvolvido em colaboração com a empresa biofarmacêutica AbbVie, este trabalho analisou mais de 100 olhos de pacientes com edema macular diabético tratados com implantes intravítreos anti-inflamatórios sem terem recebido terapias prévias, com um acompanhamento de um ano.
“O fato de podermos quantificar de forma objetiva e automatizada o fluido retiniano representa um avanço substancial em relação à espessura macular central, que tem sido durante anos a referência, apesar de sua fraca correlação com a visão funcional”, explicou o professor associado da Universidade de Barcelona e pesquisador principal deste estudo, o Dr. Javier Zarranz-Ventura.
O exame utilizado para obter essas imagens da retina é a tomografia de coerência óptica (OCT), um exame não invasivo e amplamente disponível nos serviços de oftalmologia. Agora, esta pesquisa emprega a IA para medir com precisão o volume de fluido acumulado em diferentes camadas da retina, em vez da espessura total.
Tudo isso no contexto de uma doença cujo número de pacientes na Espanha passará dos 431.934 registrados em 2021 para quase 1,7 milhão em 2030, e que faz com que a mácula, a zona da retina responsável pela visão central e pela percepção dos detalhes, inche e acumule líquido de forma silenciosa, sem sintomas, até provocar uma perda de visão irreversível.
QUANTIDADE DE LÍQUIDO PRESENTE NA RETINA
Diante disso, este projeto descobriu que a quantidade de líquido presente na retina antes do início do tratamento já antecipa, em grande medida, como será a visão do paciente ao fim de um ano. Quanto mais líquido a retina acumula nesse momento inicial, pior costuma ser a acuidade visual final, dado que reforça a importância de avaliar bem o paciente desde o início.
“O fluido que persiste aos três meses é um sinal de alerta para a visão a longo prazo”, continuou Zarranz-Ventura, acrescentando que a IA “agora oferece a capacidade de medi-lo com precisão e agir em conformidade”. Por isso, o ‘DIADEMA’ abre um novo caminho para a aplicação da Medicina de Precisão no tratamento do edema macular diabético.
De fato, ao saber desde o início exatamente quanto líquido um paciente acumulou na retina, os especialistas podem identificar quem tem maior risco de evoluir para um quadro mais grave, realizar um acompanhamento mais rigoroso e ajustar o tratamento no momento oportuno, sem esperar que o dano causado pelo edema se agrave. Assim, para cada 100 nanolitros a menos de fluido na retina, o paciente melhora, em média, uma letra e meia nos testes de visão.
“A IA pode nos ajudar a tomar melhores decisões para cada paciente”, afirmou Zarranz-Ventura, acrescentando que, se soubermos desde o início “como está a retina e como ela responde ao tratamento”, é possível “agir mais cedo e com maior precisão”. Isso “permitirá evitar o aumento de casos de cegueira irreversível causada por essa doença”, concluiu.
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