MADRID 10 ago. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores do Centro Integral de Neurociências Abarca Campal HM (CINAC) participaram de um estudo que comprovou a eficácia da tractotomia palidotalâmica realizada por meio de ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética em um hemisfério para tratar complicações motoras associadas à doença de Parkinson.
A pesquisa, publicada na revista “The Lancet Neurology”, traz novas evidências sobre uma possível alternativa terapêutica ao procedimento neurocirúrgico para lidar com um dos desafios ainda não superados na doença de Parkinson: o controle das flutuações motoras e das discinesias que, em muitos pacientes, surgem após anos de evolução da doença e tratamento farmacológico.
“Dispor de uma técnica capaz de atuar sobre os circuitos responsáveis pelas complicações motoras sem a necessidade de cirurgia representa um avanço significativo no tratamento personalizado da doença de Parkinson”, destacou o diretor do HM CINAC, José A. Obeso, um dos autores do estudo.
Os 54 pacientes que participaram desta pesquisa apresentavam complicações motoras que não podiam ser controladas adequadamente com os tratamentos farmacológicos habituais. Todos receberam, inicialmente, um tratamento unilateral com ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética.
Essa técnica permite atuar com grande precisão sobre uma pequena região cerebral responsável pelos sintomas e sinais motores, sem a necessidade de abrir o crânio nem implantar dispositivos. O planejamento por meio de ressonância magnética, o monitoramento térmico em tempo real e a emissão controlada de ultrassom resultam em uma ablação altamente localizada no alvo terapêutico.
53% DE MELHORIA NA FUNÇÃO MOTORA
Os resultados mostraram uma melhora de 53% na função motora dos membros tratados, juntamente com uma redução significativa das discinesias e dos períodos “off”, ou seja, aqueles momentos em que a medicação perde eficácia e os sinais parkinsonianos reaparecem.
Além disso, a maioria dos pacientes manifestou um alto grau de satisfação com o procedimento, e apenas um apresentou um evento adverso moderado e persistente durante o acompanhamento.
A melhora obtida foi observada já no primeiro mês após o tratamento e se manteve durante todo o ano de acompanhamento, com uma incidência aceitável de efeitos colaterais persistentes.
O estudo avaliou a possibilidade de realizar um segundo tratamento no hemisfério oposto e, embora tenha favorecido uma melhora adicional da função motora, os pesquisadores constataram que o benefício clínico era relativamente limitado e vinha acompanhado de um aumento dos efeitos adversos persistentes, principalmente relacionados à fala, à marcha e ao equilíbrio.
“A principal mensagem do estudo é que o tratamento unilateral apresenta um perfil benefício-risco claramente favorável em pacientes selecionados. Por outro lado, a indicação de um segundo procedimento deve ser individualizada e avaliada com muita cautela, sempre levando em conta as características clínicas de cada paciente”, explicou o neurologista e pesquisador do HM CINAC, Michele Matarazzo.
Os resultados obtidos ajudarão a orientar o uso futuro dessa tecnologia na prática clínica. Conforme destacaram os pesquisadores, a tractotomia palidotalâmica por meio de ultrassom focalizado pode se tornar uma alternativa para pacientes com sinais motores predominantemente unilaterais e boa resposta à levodopa, sempre dentro de um rigoroso processo de seleção clínica e após o fornecimento de informações adequadas sobre os benefícios e riscos do procedimento.
“Esses resultados consolidam o potencial do ultrassom focalizado como uma alternativa terapêutica para pacientes cuidadosamente selecionados”, concluiu José A. Obeso.
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