Publicado 07/09/2026 07:27

Um estudo do Instituto de Astrofísica das Canárias abre caminho para um crescimento explosivo das galáxias

Galáxia M74
IAC

SANTA CRUZ DE TENERIFE 7 set. (EUROPA PRESS) -

Um estudo assinado por pesquisadores do Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) põe em dúvida que as galáxias tenham um crescimento lento e constante e abre caminho para um modelo mais explosivo.

Essa pesquisa utilizou dados do novo telescópio Transient Survey Telescope (TST), no Observatório do Teide, para descobrir que a galáxia espiral Messier 74 (M74), uma das mais estudadas do céu, esconde um enorme disco de estrelas jovens em suas regiões mais externas, duplicando o tamanho conhecido da galáxia em menos de um bilhão de anos — o que representa um período extremamente curto em termos astronômicos.

“Descobrimos que a M74 possui um disco externo extremamente tênue e azul que ninguém havia visto antes, apesar de essa galáxia ser observada há décadas”, explica em um comunicado Ignacio Ruiz, pesquisador do IAC e primeiro autor do estudo.

O mais surpreendente, comenta ele, “é a rapidez com que se formou: em menos de um bilhão de anos, surgiu um novo disco de estrelas que estende a galáxia até quase 100 mil anos-luz de seu centro, o dobro do que conhecíamos”.

As imagens convencionais da M74 mostravam um disco de estrelas que se estendia por cerca de 45 mil anos-luz a partir do centro, semelhante à Via Láctea.

No entanto, as novas observações, cerca de dez vezes mais detalhadas do que os grandes catálogos conhecidos há décadas, como o famoso SDSS, revelam uma realidade bem diferente.

Ao redor do disco conhecido, surge uma estrutura de estrelas muito jovens, de cor azul intensa e extremamente fraca, que se estende até 100 mil anos-luz.

Esse novo componente, quase imperceptível em outras observações, contém estrelas com uma idade média de apenas 640 milhões de anos, uma fração minúscula na vida da galáxia.

“Detectar uma estrutura tão fraca requer uma estratégia de observação e análise de dados que seja ‘adequada’ para essas estruturas. Os dados que se tinham até agora sobre essa galáxia não eram profundos o suficiente para detectar essa estrutura, nem haviam sido analisados seguindo uma estratégia focada em preservar esse tipo de região fraca”, explica Ignacio Trujillo, pesquisador do IAC e coautor do estudo.

A CULPADA: UMA VIZINHA INCOMODADORA

Sobre o rápido crescimento de uma galáxia, a equipe aponta para um episódio violento no passado recente da M74: a passagem próxima da galáxia vizinha UGC 1176, localizada a cerca de 400 mil anos-luz da M74.

Esse tipo de encontro, conhecido como “flybys”, pode desestabilizar o gás frio que circunda uma galáxia e fazer com que ela comece a formar estrelas em suas regiões mais externas.

“Se a UGC 1176 passou perto da M74 há aproximadamente um bilhão de anos, teria agitado o gás do disco externo e desencadeado a formação de estrelas em toda essa região. As estrelas que vemos agora no disco externo são o vestígio desse encontro. A M74 está, de certa forma, ainda assimilando esse choque”, explica Ignacio Trujillo, pesquisador do IAC e coautor do trabalho.

Esse cenário é coerente com os dados disponíveis, pois o gás frio (composto de hidrogênio neutro) de M74 se estende muito além do disco estelar anteriormente conhecido.

Além disso, apresenta assimetrias e estruturas complexas que, durante décadas, intrigaram os astrônomos e que agora encontram uma explicação natural como consequência dessa interação passada.

A descoberta foi possível graças ao novo Transient Survey Telescope (TST), um telescópio robótico de um metro de diâmetro instalado no Observatório do Teide e operado pela empresa canária LightBridges.

Apesar de seu tamanho modesto, a combinação de sua câmera de grande campo com uma estratégia de observação e processamento de imagens projetada para preservar as estruturas mais fracas permite que ele alcance profundidades impossíveis para telescópios convencionais de maior abertura.

“Isso demonstra que, com a instrumentação adequada e um processamento cuidadoso dos dados, um telescópio de um metro pode revelar estruturas que escapam a telescópios muito mais potentes”, destaca Miquel Serra-Ricart, coautor do estudo e responsável técnico pelas observações.

Este estudo traz uma nova perspectiva aos modelos atuais de crescimento e evolução das galáxias.

O caso da M74 sugere que esse processo pode ser interrompido ou acelerado drasticamente por encontros com outras galáxias, produzindo episódios de crescimento quase instantâneo em termos astronômicos.

“O que vemos na M74 pode não ser excepcional”, adverte Trujillo, acrescentando que “é possível que muitas galáxias passem por episódios semelhantes de crescimento explosivo que simplesmente não conseguimos detectar até agora porque as imagens não eram suficientemente profundas”.

Nessa linha, ele destaca que o estudo de mais galáxias com o TST no hemisfério norte, ou a chegada de novos instrumentos como o Telescópio Vera Rubin, no Chile, explorando o hemisfério sul, “poderia revelar se esse fenômeno é muito mais comum do que se imagina”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado