Publicado 16/09/2026 07:07

Um estudo do CSIC identifica como a dengue enfraquece temporariamente a barreira vascular

Partículas virais da dengue.
UNVIERSITY OF SOUTH CAROLINA BIOMEDICAL SCIENCES

MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -

Uma equipe internacional, com a participação do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) por meio do Centro de Pesquisa do Câncer (CSIC-USAL-FICUS), descobriu que a infecção pelo vírus da dengue pode enfraquecer temporariamente a barreira dos vasos sanguíneos.

A parede interna dos capilares e veias é formada por células que regulam quais substâncias passam do sangue para os tecidos e quais permanecem fora deles. Essas células permitem a passagem de água, oxigênio e nutrientes, ao mesmo tempo em que bloqueiam substâncias que poderiam causar inflamação, danificar o tecido ou provocar hemorragias. Quando essa parede é alterada, os líquidos escapam dos vasos e causam acúmulo de líquido nos tecidos e hemorragias, um fenômeno característico da dengue grave.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram células de pequenos vasos sanguíneos (microvasculatura) humanos cultivadas em laboratório. Elas foram expostas a substâncias solúveis liberadas por células infectadas com o vírus da dengue e observaram-se alterações tanto na forma celular quanto nas proteínas responsáveis por mantê-las unidas entre si — alterações que facilitam o vazamento de líquidos para fora dos vasos.

Compreender com precisão como e quando esse enfraquecimento ocorre permitirá desenvolver novas estratégias para proteger essa barreira em pacientes com dengue grave, que apresentam maior risco de hemorragias graves, choque inflamatório e quedas bruscas da pressão arterial — complicações potencialmente fatais para as quais ainda não existe um tratamento específico.

O pesquisador principal do Centro de Pesquisa do Câncer (CIC) e codiretor do estudo, Miguel Vicente-Manzanares, explica que a pesquisa se concentra nessa fase reversível. “Constatamos que essas células entram em um estado de plasticidade temporária. Elas deixam de se comportar como células endoteliais normais e adquirem características mais próprias de células envolvidas na reparação de tecidos. Essa mudança não é permanente, e essa reversibilidade poderia explicar por que a alteração da barreira vascular na dengue grave costuma ser transitória”, afirma.

Segundo Vicente-Manzanares, compreender melhor como e quando essa barreira se enfraquece facilitará a elaboração de estratégias para protegê-la em pacientes com maior risco de complicações graves.

Além dos experimentos, a equipe desenvolveu um modelo computacional que simula o comportamento dessas células durante a infecção. O modelo identifica duas moléculas-chave que atuam como centros de controle da resposta vascular à dengue: a interleucina 6 (IL-6) e a fibronectina (FN1).

Os resultados sugerem que bloquear a ação da IL-6 ou modular a fibronectina poderia ajudar a proteger a barreira vascular em pacientes com dengue grave. Alguns medicamentos que atuam nessas vias já são utilizados em outras doenças, o que poderia acelerar sua possível aprovação para o tratamento da dengue, caso superem todas as fases de pesquisa clínica. Isso abre caminho para estudar se eles poderiam servir para reduzir as complicações vasculares da doença.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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