Publicado 25/02/2026 08:48

Um estudo do CSIC e da UPV revela que a menstruação condiciona a vida cotidiana de mais de 80% das mulheres na Espanha.

Archivo - Arquivo - Um estudo do CSIC e do Instituto INGENIO revela que a menstruação condiciona a vida de mais de 80% das mulheres na Espanha.
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Trabalho liderado pelo Instituto INGENIO, centro misto de ambas as organizações MADRID 25 fev. (EUROPA PRESS) -

Um estudo liderado pelo Instituto INGENIO, centro misto da Universidade Politécnica de Valência (UPV) e do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC), revelou que a menstruação condiciona a vida cotidiana de mais de 80% das mulheres na Espanha, conforme publicado na revista especializada “BMC Women's Health”.

Este trabalho, que é a quarta publicação de um estudo sobre a saúde menstrual no território nacional e que contou com mais de 4.000 participantes, analisou como o estigma menstrual influencia o dia a dia, a participação social e o bem-estar das mulheres. Assim, verificou-se que apenas 15,4% das mulheres mantêm sua vida cotidiana sem alterações durante a menstruação.

“A forma como se vive não depende apenas dos sintomas físicos, mas também do contexto social em que ocorre”, destacou a pesquisadora do Instituto INGENIO, Sara Sánchez-López, em relação ao fato de que muitas mulheres adaptam seu comportamento devido à dor, sangramento abundante ou para evitar desconforto ou exposição.

Este estudo aponta que, diante desses sintomas e situações, as estratégias mais comuns incluem mudanças na vestimenta — como evitar roupas brancas (48%) e certos tipos de roupas (36%) —, reduzir a prática de esportes (21%) e limitar atividades como nadar e ir à praia (22%). A principal razão que as motiva é a dor. De qualquer forma, os pesquisadores indicaram que essas decisões não respondem apenas ao desconforto físico, pois fatores como a ansiedade diante de possíveis manchas, a falta de espaços adequados e o medo de reações negativas do ambiente refletem a persistência de normas sociais relacionadas a uma gestão da saúde menstrual estritamente privada.

FATOR DISCRIMINATÓRIO “Muitas vezes, o desconforto menstrual não é reconhecido como uma necessidade legítima de apoio, mas como algo que pode tirar credibilidade”, explicou Sánchez-López, que acrescentou que, “em um contexto em que a menstruação tem sido usada para excluir as mulheres de certos papéis, mostrar vulnerabilidade pode ser percebido como um risco coletivo”.

Nesse sentido, a pesquisa citada expõe que muitas participantes descrevem ter ido para suas escolas ou locais de trabalho apesar de sentirem dor intensa, náuseas ou fadiga. Especificamente, enquanto 41% das entrevistadas se ausentaram em alguma ocasião por esses sintomas, 44% afirmam não ter interrompido sua frequência por motivos menstruais.

Por outro lado, os resultados, que mostram testemunhos de ridicularização e situações de humilhação, revelam um elevado número de respostas que descrevem como a menstruação foi utilizada para questionar ou desacreditar emoções, decisões ou conflitos em contextos quotidianos, especialmente no âmbito interpessoal ou doméstico.

“Essas situações reforçam estereótipos que associam a menstruação à falta de controle emocional ou irracionalidade, o que pode se traduzir em menor credibilidade”, afirmou, por sua vez, a pesquisadora do Instituto INGENIO e coautora deste estudo, Rocío Poveda, enquanto Santiago Moll, membro do Departamento de Matemática Aplicada da UPV e também coautora deste trabalho, afirmou que “as experiências mais positivas estão associadas a contextos em que falar sobre menstruação não gera desconforto e onde as necessidades físicas ou emocionais ligadas ao ciclo são reconhecidas”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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