MADRID 19 mar. (EUROPA PRESS) -
Uma série de equipes da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERDEM) da Universidade de Málaga (UMA) e da Plataforma BIONAND do IBIMA liderou um estudo que demonstra que níveis elevados da proteína surfactante pulmonar tipo D (SP-D) no sangue estão associados a um maior risco cardiovascular.
Este trabalho, realizado no âmbito do projeto “Di@bet.es”, expõe que, em pessoas que apresentam essa condição proteica, há maior probabilidade de sofrer eventos cardiovasculares, como infarto, AVC, doença arterial periférica e morte de origem cardiovascular. Isso foi constatado após a análise de 1.707 participantes sem história de doença cardiovascular, categorizados em quartis e com um período de acompanhamento de sete anos e meio.
“Incorporar a SP-D na avaliação de risco poderia permitir estratégias de prevenção mais personalizadas e eficazes, algo fundamental dado o impacto que as doenças cardiovasculares têm sobre a mortalidade na Espanha”, explicou, a esse respeito, a pesquisadora do CIBERDEM e coautora deste estudo, Ana Lago-Sampedro.
Para chegar a essa conclusão, foram analisados os resultados obtidos, que mostram que as pessoas com níveis de SP-D situados no quartil mais alto tinham mais do que o dobro da probabilidade de desenvolver um evento cardiovascular do que aquelas no quartil mais baixo, mesmo após levar em conta fatores de risco tradicionais, como a escala 'SCORE2', o índice de massa corporal (IMC), a função renal e marcadores de inflamação, como a proteína C reativa ultrassensível.
NÃO FUMAR NÃO PRODUZ VARIABILIDADE
Esse aumento no risco se manteve mesmo em indivíduos não fumantes, apesar de os níveis elevados de SP-D serem habitualmente associados ao tabagismo, uma vez que o dano pulmonar provoca a liberação da proteína SP-D pulmonar na corrente sanguínea. “Essas descobertas nos mostram que a SP-D sérica elevada poderia ter outra origem diferente dos pulmões”, explicou, por sua vez, a também pesquisadora do CIBERDEM e primeira autora deste trabalho, Wasima Oualla-Bachiri.
Nesse contexto, a inclusão da SP-D em modelos de previsão de risco cardiovascular melhorou sua capacidade de identificar quem desenvolveria um evento, aumentando tanto a sensibilidade quanto a especificidade em relação a modelos baseados apenas em fatores tradicionais. Por isso, essa proteína se posiciona como um biomarcador promissor para a estratificação do risco cardiovascular na população em geral, abrindo novos caminhos para a pesquisa e a prevenção dessas doenças.
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