Publicado 19/05/2026 10:09

Um estudo destaca a terapia posicional como uma "alternativa valiosa" à CPAP no tratamento da apneia obstrutiva do sono

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ISTOCK/ CHERRYBEANS - Arquivo

MADRID 19 maio (EUROPA PRESS) -

A terapia posicional se destaca como uma “alternativa valiosa” ao uso da CPAP na apneia obstrutiva do sono (AOS), após um estudo ter demonstrado eficácia comparável e até mesmo melhor tolerância, além de permitir que mais de dois terços dos pacientes controlassem sua doença durante um ano sem tratamento ativo.

O Estudo PÁVLOV, com a participação de 184 pacientes, comprovou a eficácia dos chamados dispositivos posicionais, que monitoram a posição do corpo dos pacientes e emitem uma leve vibração quando estes se deitam de barriga para cima, estimulando-os a se deitarem de lado.

A hipótese dos autores do estudo, realizado em 12 hospitais espanhóis, era que, com o tempo, esse feedback repetido poderia treinar os pacientes a evitar deitar-se de barriga para cima espontaneamente, o que introduziria um componente comportamental que não está presente na CPAP nem em nenhum dos tratamentos atuais para a AOS, que são eficazes apenas enquanto são utilizados ativamente.

A coordenadora da Unidade Funcional de Sono e Epilepsia do Hospital Universitário Ramón y Cajal de Madri e líder do estudo, Irene Cano, explicou que o fato de os dispositivos CPAP serem eficazes apenas enquanto estão em uso gera uma “dependência de longo prazo”, bem como “desafios” de adesão, que é “baixa”, já que até 40% dos pacientes não os utilizam adequadamente.

Os resultados do estudo validam a hipótese de seus autores. “Observamos que a terapia posicional não só foi eficaz — comparável à CPAP — como também foi melhor tolerada, o que reforça seu papel como uma alternativa valiosa para os pacientes que têm dificuldades com a adesão à CPAP”, destacou a membro da Sociedade Espanhola do Sono (SES).

A terapia posicional também demonstrou na pesquisa sua capacidade de induzir uma mudança comportamental, já que, após apenas seis meses de uso, mais de dois terços dos pacientes mantiveram o controle da doença sem qualquer tratamento ativo, um efeito que persistiu até um ano após a interrupção de seu uso.

"Isso sugere que a terapia posicional pode ir além do controle dos sintomas, oferecendo uma estratégia capaz de modificar o comportamento do sono subjacente e reduzir, potencialmente, a dependência do tratamento a longo prazo", destacou a responsável pelo estudo, no qual se observou, em contraste, que três meses após a retirada da CPAP, nenhum paciente desse grupo manteve a condição de respondedor ao tratamento.

RUMO A UMA ABORDAGEM DE MEDICINA DE PRECISÃO

Essas descobertas, segundo a pesquisadora do Hospital Universitário Ramón y Cajal de Madri, destacam a importância de “avançar rumo a uma abordagem de medicina de precisão” na apneia obstrutiva do sono, onde o tratamento se adapta a fenótipos específicos, como a AOS posicional.

“A terapia posicional representa uma opção eficaz e bem tolerada que poderia resolver uma necessidade médica não atendida: a dos pacientes com AOS posicional que não toleram a CPAP e que, muitas vezes, ficam sem tratamento”, destacou ela, acrescentando que o sistema de saúde como um todo se beneficiaria com essa abordagem, que “poderia reduzir custos ao minimizar a necessidade do uso de dispositivos a longo prazo, os recursos de acompanhamento e o suporte humano exigidos pela gestão da CPAP".

No entanto, a especialista ressaltou que são necessárias mais pesquisas para compreender a durabilidade a longo prazo do efeito dos dispositivos posicionais, algo em que a equipe do Estudo PAVLOV já está trabalhando, além de identificar os fatores que permitam prever quais pacientes responderão à terapia posicional e manterão esse efeito ao longo do tempo.

"Isso nos permitirá definir melhor os perfis dos pacientes que respondem ao tratamento e selecionar aqueles com maior probabilidade de se beneficiarem dessa abordagem, já que, em última instância, nosso objetivo é incorporar essas descobertas nas diretrizes clínicas e avançar em direção a uma estratégia de tratamento mais personalizada para a apneia obstrutiva do sono", explicou ela.

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio crônico de alta prevalência caracterizado pelo colapso repetido das vias respiratórias durante o sono, o que provoca dessaturação de oxigênio e fragmentação do sono. Esse distúrbio, se não for tratado, está associado a complicações cardiovasculares e neurocognitivas e representa um importante fardo para a saúde pública.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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