Publicado 09/01/2026 07:38

Um estudo descobriu que a concha da mexilhão é um abrasivo melhor do que outros utilizados na indústria têxtil.

Juan Luis Osa e Cristina Peña
EHU

BILBAO 9 jan. (EUROPA PRESS) -

Um grupo de pesquisa Materiais + Tecnologias (GMT) da Universidade do País Basco (EHU), em colaboração com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), descobriu que a areia obtida a partir da trituração de conchas de mexilhões tem propriedades abrasivas “melhores” do que outros materiais utilizados pela indústria têxtil, além de ser mais ecológica.

De acordo com um comunicado da EHU, este fato responde à busca, por parte de “uma importante multinacional do setor têxtil”, de uma “técnica sustentável para o desgaste do tecido jeans”. “Concluímos que a areia obtida ao triturar as conchas de mexilhões é um material abrasivo eficaz e sustentável. Permite substituir outros processos industriais atualmente utilizados para o desgaste do tecido jeans e que geram um maior impacto no meio ambiente ou que têm uma maior toxicidade”, anunciaram os pesquisadores Cristina Peña e Juan Luis Osa, do grupo da EHU. Os tratamentos utilizados para obter o aspecto desgastado do tecido jeans apresentam “inúmeras desvantagens”, explicou a universidade. Tradicionalmente, o tecido jeans era desgastado lançando areia de sílica contra o tecido a alta pressão. No entanto, o pessoal responsável por essa técnica desenvolveu silicose devido ao uso de poucas medidas de segurança e proteções inadequadas. Por ser uma doença com alta taxa de mortalidade, a técnica erosiva baseada no jato de areia ganhou má fama e foi descartada pela indústria têxtil. Em seu lugar, começaram a ser utilizados outros métodos, como tratamentos químicos oxidantes ou tratamentos térmicos com laser. Esses métodos podem ser mais tóxicos e não alcançam resultados tão satisfatórios em termos de desgaste, indicou a EHU.

Decidiu-se então procurar um material renovável e começaram a testar com conchas de mexilhões por sugestão da própria empresa têxtil que tinha feito o pedido, concretamente com as conchas descartadas pela indústria alimentar.

Segundo explicou Osa, aproveitando o fato de morar “muito perto do bar La Mejillonera de San Sebastián”, eles fizeram testes “com as conchas de mexilhões que eles costumam jogar no lixo”. “O processo consiste em lavar as conchas com água, esterilizar o material com um tratamento térmico, moê-lo em um moinho, peneirá-lo e, finalmente, projetar o resíduo gerado contra o tecido jeans com uma pistola de ar comprimido”, afirmou.

Desta forma, explicou, o resíduo “responde muito bem ao desgaste dos jeans, melhor do que o granada que costuma ser usado neste processo de jato de areia”. Além disso, é necessário menos material para obter o mesmo desgaste.

A sustentabilidade do material erosivo é outro dos pontos fortes da investigação da EHU, diz Peña: “Tem um impacto ambiental menor do que os abrasivos tradicionais e químicos. Como consequência do consumo de mexilhões, são geradas 1,5 milhões de toneladas de resíduos de conchas por ano em todo o mundo e, pelo que sabemos, atualmente não são utilizados”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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