Publicado 30/03/2026 09:18

Um estudo corrobora o fechamento percutâneo do orelha como alternativa à anticoagulação na fibrilação atrial

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GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / ALEXANDER RATHS

MADRID 30 mar. (EUROPA PRESS) -

O fechamento percutâneo do orelha esquerda por meio do dispositivo “Watchman” demonstrou ser equivalente em eficácia aos anticoagulantes orais na prevenção de eventos embólicos em pacientes com fibrilação atrial não valvular, conforme destaca o ensaio clínico internacional “Champion-AF”.

O estudo, apresentado no último congresso do American College of Cardiology e publicado no “New England Journal of Medicine”, contou com a participação de 3.000 pacientes em 141 centros de 16 países, dos quais três são da Espanha. Os pacientes foram randomizados para receber terapia com anticoagulantes ou ser submetidos a uma intervenção para o fechamento da orelha atrial.

Os resultados após três anos confirmam que o fechamento da orelha atrial esquerda não é inferior em eficácia aos anticoagulantes orais na prevenção de eventos embólicos, principalmente acidentes vasculares cerebrais. Além disso, o procedimento mostra uma redução de cerca de 50% nos episódios de sangramento, mesmo considerando as complicações associadas ao próprio procedimento.

A Fundação EPIC destacou que essas descobertas consolidam a evidência de que o fechamento percutâneo não é apenas uma alternativa válida em pacientes com contraindicação à anticoagulação, mas que pode ser estendido a um espectro mais amplo de pacientes.

MUDANÇA DE PARADIGMA

As evidências deste ensaio abrem caminho para uma mudança de paradigma no tratamento da fibrilação atrial, de modo que médicos e pacientes poderão avaliar individualmente a possibilidade de substituir um tratamento farmacológico crônico por uma intervenção única.

Na Espanha, isso envolveria até um milhão de pessoas que recebem tratamento anticoagulante para fibrilação atrial. De modo geral, esses pacientes têm sido tratados com medicamentos como o “Sintrom” ou, mais recentemente, com anticoagulantes orais diretos, que melhoraram o perfil de segurança e o conforto, uma vez que não exigem controles laboratoriais frequentes.

No entanto, o risco de sangramento continua sendo uma das principais limitações desses tratamentos. Nesse contexto, o fechamento percutâneo da orelha atrial, onde se originam até 90% dos trombos cardíacos nessa patologia, surge como uma estratégia fundamental para reduzir complicações hemorrágicas sem comprometer a proteção contra embolias.

“Os resultados do estudo abrem as portas para que uma porcentagem significativamente maior de pacientes, além do perfil clássico com contraindicação para anticoagulantes, possa se beneficiar dessa técnica minimamente invasiva, realizada por cateter e sem necessidade de cirurgia aberta”, afirmou o presidente da Fundação EPIC, Armando Pérez de Prado.

O especialista, chefe da Unidade de Cardiologia Intervencionista do Hospital Universitário de León, centro participante do estudo, destacou o “alto nível” demonstrado pela especialidade espanhola ao participar desse tipo de trabalho. “Sua liderança no recrutamento de pacientes ressalta tanto a experiência clínica quanto a capacidade investigativa dos centros espanhóis em estudos internacionais de alto impacto”, destacou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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