Publicado 04/08/2026 06:40

Um estudo coordenado pelo CNIC descarta que a hipertrabeculação do ventrículo esquerdo seja uma patologia cardíaca

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MADRID 4 ago. (EUROPA PRESS) -

O Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares (CNIC) coordenou um estudo internacional que descartou que a hipertrabeculação ventricular esquerda seja uma doença cardíaca, bem como que implique um pior prognóstico em pacientes com miocardiopatia dilatada.

Essa pesquisa, liderada pelo chefe do grupo de miocardiopatias hereditárias dessa instituição e membro do Hospital Universitário Puerta de Hierro de Majadahonda, em Madri, o Dr. Pablo García-Pavía, e publicada na revista especializada “Circulation”, constituiu o maior estudo genético e de ressonância magnética cardíaca realizado até o momento.

Por meio desse estudo, realizado com 1.160 pacientes provenientes de 22 centros na Espanha e na Holanda, os autores constataram que essa característica anatômica do coração, tradicionalmente associada a um pior prognóstico, não está relacionada a um maior risco de eventos embólicos, insuficiência cardíaca avançada nem arritmias ventriculares graves. Por outro lado, acreditam que ela deve ser considerada uma característica morfológica dentro da miocardiopatia dilatada e não uma entidade clínica independente que requeira um tratamento específico.

Nesse sentido, eles contextualizaram explicando que a hipertrabeculação ventricular esquerda tem sido uma entidade debatida há anos no âmbito da cardiologia, uma vez que, por muito tempo, foi considerada uma doença cardíaca independente, recebendo o nome de miocardiopatia não compactada. No entanto, nos últimos anos, sugeriu-se que não se tratava de uma patologia em si, mas de uma característica anatômica na qual se observa um aumento do número e/ou da espessura das trabéculas, pequenas estruturas musculares que revestem a face interna do ventrículo esquerdo.

Também por um longo período, ela foi associada a um suposto aumento do risco de insuficiência cardíaca, arritmias e fenômenos tromboembólicos, o que chegou a levar à recomendação de tratamentos mais agressivos, incluindo a anticoagulação preventiva para evitar a formação de trombos no interior da zona hipertrabeculada.

RESOLUÇÃO DEFINITIVA DA CONTROVÉRSIA

Diante disso, os autores afirmaram que este artigo, que incluiu um acompanhamento médio de mais de cinco anos, “resolve de forma definitiva a controvérsia sobre se a hipertrabeculação é ou não uma doença em si”. A esse respeito, informaram que, no estudo, os pacientes com hipertrabeculação “apresentavam uma evolução clínica semelhante à daqueles sem essa característica anatômica”.

“Os verdadeiros fatores associados ao prognóstico foram variáveis já conhecidas, como a fração de ejeção ventricular, a presença de fibrose cardíaca detectada por ressonância magnética ou determinadas alterações genéticas”, explicou García-Pavía a esse respeito e sobre essa pesquisa, que também demonstrou que essa condição não aumenta o risco de embolias cerebrais ou sistêmicas, mesmo em pacientes com função cardíaca significativamente reduzida e sem fibrilação atrial.

Nesse contexto, a cardiologista do Hospital Universitário Puerta de Hierro e primeira autora deste trabalho, a doutora Nerea Mora, indicou que “esse resultado questiona a necessidade de utilizar anticoagulação preventiva apenas pela presença de hipertrabeculação”. A existência dessa característica “não alterou o risco clínico em nenhum dos grupos genéticos analisados”, concluiu ela.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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