Publicado 14/07/2026 04:44

Um estudo confirma que os pavimentos permeáveis mantêm a capacidade de reter microplásticos e contaminantes ao longo dos anos

Pesquisadores da UPV
UPV

VALÊNCIA 14 jul. (EUROPA PRESS) -

Pesquisadores do Instituto de Engenharia Hídrica e Ambiental (IIAMA) da Universidade Politécnica de Valência (IIAMA-UPV) demonstraram que os pavimentos permeáveis pré-fabricados utilizados em ambientes urbanos podem manter sua funcionalidade hidráulica e sua capacidade de retenção de contaminantes após cinco anos de operação em condições reais de alta pressão urbana, conforme informado pela UPV em um comunicado.

Por isso, os pesquisadores concluíram que os pavimentos permeáveis podem se tornar ferramentas essenciais para limitar a transferência de microplásticos para rios e mares, embora tenham alertado para a “necessidade” de incorporar estratégias específicas de manutenção para evitar a saturação progressiva do sistema.

O trabalho, desenvolvido por Darío Calzadilla-Cabrera, Eduardo García-Haba, Carmen Hernández-Crespo, Miguel Martín e Ignacio Andrés-Doménech, foi publicado na revista científica *Water*. A pesquisa se concentra na avaliação do comportamento ambiental de pavimentos permeáveis instalados em uma zona de pedestres de Valência, sujeita a intensa atividade urbana e comercial, que inclui feiras semanais, tráfego de pedestres e tráfego ocasional de veículos de manutenção.

O trabalho parte da constatação de que os Sistemas Urbanos de Drenagem Sustentável (SUDS) são uma ferramenta fundamental para reduzir o escoamento superficial, melhorar a qualidade da água e adaptar as cidades às mudanças climáticas.

“Entre os diferentes tipos de SUDS, os pavimentos permeáveis permitem a infiltração da água da chuva e reduzem o escoamento superficial”, destacou Darío Calzadilla, autor principal do estudo

No entanto, uma das principais questões científicas era saber como esses sistemas evoluem a longo prazo e o que ocorre com os contaminantes acumulados em sua estrutura porosa com o passar do tempo. Para abordar essa questão, os pesquisadores do IIAMA-UPV realizaram, durante dois anos, campanhas de monitoramento hidráulico in situ, com análises laboratoriais em lajes novas e em lajes retiradas após cinco anos de operação real.

FUNCIONALIDADE HIDRÁULICA MANTIDA

“Os resultados mostram que a permeabilidade dos pavimentos diminuiu aproximadamente 48% após cinco anos de operação devido ao entupimento progressivo por sedimentos e matéria orgânica”, destacou Carmen Hernández, coautora do artigo e pesquisadora do IIAMA.

No entanto, o sistema manteve valores muito superiores ao limite mínimo estabelecido nas diretrizes técnicas de drenagem sustentável, o que confirma seu funcionamento correto mesmo em condições de uso intensivo. Além disso, os ensaios demonstraram que a limpeza com água sob pressão permitiu recuperar cerca de 42,5% da capacidade de infiltração.

“Isso evidencia que grande parte da perda hidráulica é reversível por meio de estratégias adequadas de manutenção, mesmo em climas mediterrâneos caracterizados por chuvas torrenciais e longos períodos de seca”, acrescentou Darío Calzadilla.

Um dos aspectos mais inovadores do estudo é a análise do acúmulo de microplásticos em pavimentos permeáveis envelhecidos em condições reais de funcionamento, uma linha de pesquisa ainda muito pouco explorada internacionalmente. De fato, os resultados revelam que eles acumularam até 7,5 vezes mais microplásticos do que os novos, ultrapassando os 10.000 microplásticos por metro quadrado.

“Entre os materiais identificados, predominam fibras de polietileno (PE), polipropileno (PP) e poliéster (PET), associadas ao desgaste de materiais urbanos, têxteis e resíduos plásticos”, detalhou Eduardo García, coautor da pesquisa.

Por isso, ele destaca que esses resultados confirmam que “o pavimento permeável não funciona apenas como infraestrutura hidráulica, mas também como um sistema de filtragem capaz de reter contaminantes urbanos antes que eles cheguem à rede de drenagem ou aos ecossistemas aquáticos”, acrescentou García.

ESTUDO PIONEIRO

O trabalho traz um “elevado” grau de inovação científica ao analisar simultaneamente a evolução hidráulica, o acúmulo de contaminantes e a retenção de microplásticos em pavimentos permeáveis submetidos a condições urbanas reais durante um período prolongado, destacaram no instituto.

“Em comparação com pesquisas anteriores realizadas principalmente em laboratório ou em curto prazo, este estudo traz evidências experimentais de campo sobre o comportamento real dessas Soluções Baseadas na Natureza (SbN) em ambientes mediterrâneos com condições extremas”, afirmou Darío Calzadilla.

“Os pavimentos permeáveis representam uma solução multifuncional capaz de combinar a gestão da água da chuva, a redução da poluição urbana e a melhoria ambiental das cidades”, insistiram os especialistas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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