Publicado 13/01/2026 08:41

Um estudo co-liderado pelo CSIC documenta o declínio do gado em regiões de todo o planeta nos últimos 25 anos.

Imagem de pastoreio extensivo.
JOSÉ D. ANADÓN (IPE)

Na Europa Oriental, o rebanho bovino diminuiu 35% nos últimos 25 anos MADRID 13 jan. (EUROPA PRESS) -

Um trabalho internacional co-liderado pelo CSIC documentou o declínio em regiões de todo o planeta nos últimos 25 anos das cargas pecuárias, ou seja, da quantidade de animais que um terreno pode suportar de forma sustentável. Essa tendência global afeta áreas que concentram mais de 40% do gado mundial e, de forma destacada, a Europa Oriental, cujo rebanho bovino diminuiu 35% nos últimos 25 anos.

O estudo, liderado pelo pesquisador José D. Anadón, do Instituto Pirenaico de Ecologia (IPE-CSIC), e Osvaldo E. Sala, da Arizona State University, analisa os padrões globais de variação nas cargas pecuárias e os relaciona com fatores socioeconômicos, tecnológicos e climáticos. Além disso, avalia as consequências ecológicas que essas reduções podem ter sobre o funcionamento do planeta.

Os resultados, publicados na revista The Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostram a diminuição da densidade de gado nas pastagens das regiões mais prósperas, que contam com populações estáveis, maior disponibilidade de ração e sistemas de pecuária menos dependentes do pastoreio.

Diante dessa tendência, refletida nos dados da Europa, América do Norte, China e norte e sul da África, os dados apontam que outros territórios da Ásia Central, América do Sul e África Subsaariana aumentaram suas cargas pecuárias devido a um forte crescimento demográfico e a uma demanda crescente por proteína animal, apesar de suas limitações tecnológicas.

De acordo com os autores da investigação, a magnitude deste declínio do gado em algumas zonas do planeta “passou em grande medida despercebida” na literatura científica e nos diagnósticos globais. Na sua opinião, para isso contribuiu a falta de informação homogénea sobre o pastoreio extensivo e a sua dinâmica — onde os dados disponíveis são “surpreendentemente limitados” — e os números sobre outras mudanças no uso do solo, que são conhecidos com maior precisão.

Em sua opinião, essa tendência global identificada em relação à redução do gado “questiona a narrativa dominante que aponta o sobrepastoreio como causa da degradação das pastagens”. “Durante décadas, interpretamos as pastagens do planeta sob a ótica do sobrepastoreio. No entanto, uma parte substancial do mundo está experimentando exatamente o contrário: menos gado, menor pressão de pastoreio e profundas transformações ecológicas”, destacou José D. Anadón.

“EFEITOS ECOLÓGICOS SIGNIFICATIVOS” Além disso, a pesquisa ressalta que a marcante redução da pecuária extensiva está desencadeando “efeitos ecológicos significativos em escala regional e global”. Por exemplo, aponta que a diminuição dessa prática favorece uma acumulação descontrolada de biomassa vegetal e pode provocar um aumento do risco de incêndios. Da mesma forma, menciona como a redução da pecuária extensiva pode contribuir para a perda de espécies vegetais vulneráveis, permitindo que algumas poucas espécies competitivas dominem a vegetação. Nesse sentido, também explicou que a diminuição do gado implica menos escoamento e, finalmente, menos água disponível para os usuários. Ao mesmo tempo, indica que a diminuição do pastoreio pode aumentar a quantidade de biomassa e favorecer a captura de dióxido de carbono atmosférico, com possíveis benefícios para o clima. “Não se trata, portanto, de um cenário apenas negativo ou positivo, mas de uma realidade mais complexa que combina riscos e oportunidades”, esclareceu Anadón. “UM MARCADO VIÉS” NA LITERATURA CIENTÍFICA

O estudo revela que há “um viés acentuado” na literatura científica, uma vez que existem dez vezes mais trabalhos dedicados ao sobrepastoreio do que à redução da carga pecuária. Na opinião do pesquisador do IPE-CSIC, essa “desproporção” contribuiu para uma percepção global de degradação generalizada das paisagens, condicionando tanto a pesquisa quanto as decisões de gestão.

Nesse sentido, os autores instam a revisar as prioridades científicas e políticas para incorporar de forma equilibrada tanto as regiões em que a pecuária se intensifica quanto aquelas em que os herbívoros estão diminuindo, dada sua relevância para a segurança alimentar, a biodiversidade e os ciclos globais de carbono, água e energia.

Além disso, indicam que, embora a reintrodução da fauna selvagem ou o uso de outros tipos de herbívoros possam, em alguns casos, substituir parcialmente as funções ecológicas desempenhadas pelo gado, é necessário um maior conhecimento científico para compreender quais estratégias funcionam, em que locais e em que condições.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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