NADZEYA HAROSHKA/ISTOCK - Arquivo
MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -
Os receptores ativados por proliferadores de peroxissomas (PPAR) podem se tornar um novo alvo terapêutico para a colangite biliar primária, uma doença autoimune rara que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose.
Um estudo publicado na revista “Trends in Molecular Medicine” e liderado por Manuel Vázquez-Carrera, chefe de grupo da área de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas do CIBER (CIBERDEM) na Faculdade de Farmácia e Ciências da Alimentação e no Instituto de Biomedicina (IBUB) da Universidade de Barcelona e do Hospital Sant Joan de Déu, reúne os avanços mais recentes sobre o papel desses receptores no desenvolvimento da doença e mostra como sua ativação influencia processos relacionados tanto ao dano hepático quanto às alterações metabólicas características do diabetes tipo 2.
A colangite biliar primária ocorre quando o sistema imunológico ataca os pequenos ductos que transportam a bile dentro do fígado. Como consequência, a bile se acumula, favorecendo a inflamação e o dano progressivo do órgão. Embora exista um tratamento de primeira linha, cerca de 40% dos pacientes não respondem adequadamente ou não o toleram, o que torna necessário o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas.
“O estudo analisa as evidências científicas sobre os agonistas do PPAR, uma família de medicamentos que atua regulando processos essenciais para o funcionamento do fígado. Entre eles estão o elafibranor e o seladelpar, recentemente aprovados, que ampliaram as opções de tratamento para pessoas com colangite biliar primária”, explicou Xavier Palomer, primeiro autor do artigo e pesquisador do grupo do Dr. Vázquez-Carrera.
De acordo com a equipe de pesquisa, a ativação dos receptores PPAR contribui para reduzir a inflamação, favorece o equilíbrio dos ácidos biliares — cujo acúmulo é tóxico para o fígado — e poderia frear a progressão da fibrose, um dos principais fatores associados à deterioração da função hepática.
Além de seu papel nessa doença, os receptores PPAR participam de mecanismos biológicos comuns à diabetes tipo 2. Mais especificamente, eles regulam o metabolismo das gorduras, a sensibilidade à insulina e a resposta inflamatória, processos alterados tanto nas doenças metabólicas quanto em certas doenças hepáticas. Compreender essas conexões pode facilitar o desenvolvimento de tratamentos direcionados a mecanismos comuns e contribuir para uma visão mais integrada de ambas as doenças.
A equipe de pesquisa também analisa as evidências clínicas disponíveis sobre diferentes agonistas do PPAR e conclui que essas terapias se tornaram uma das principais alternativas para os pacientes que necessitam de uma segunda linha de tratamento. No entanto, ressalta que ainda são necessários estudos com acompanhamento mais prolongado para confirmar seu impacto sobre a evolução da doença e seus benefícios a longo prazo.
O trabalho contou com financiamento do ISCIII, do MICIN, de fundos do FEDER e do CIBER. Além disso, além da equipe de pesquisa do CIBEREHD e do CIBERDEM, também colaborou Walter Wahli, pesquisador da Universidade de Lausana.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático