Publicado 21/07/2026 05:55

Um estudo sobre a alimentação revela como era o dia a dia de uma comunidade há 2.700 anos

A pesquisadora da Universidade de Córdoba, Zita Laffranchi.
UCO

CÓRDOBA 21 jul. (EUROPA PRESS) -

Uma pesquisa internacional liderada pelas universidades de Córdoba (UCO) e Pisa, na Itália, reconstruiu, a partir de análises isotópicas, os vestígios que a alimentação deixou nos restos mortais de uma necrópole italiana, revelando como era a vida cotidiana de uma comunidade há 2.700 anos.

Segundo informa a UCO em um comunicado, apesar do passar do tempo, alguns padrões de comportamento se repetem, tais como a alimentação, a mobilidade das pessoas, as diferenças de gênero e o papel do simbolismo funerário na representação do status social.

O estudo se concentrou na necrópole de Novilara, uma das maiores áreas funerárias da cultura picena (uma cultura pré-romana do centro da Itália que existiu na mesma época que as sociedades tartésicas da Península Ibérica, entre outras), e combinou análises bioarqueológicas e multi-isotópicas.

Mais especificamente, a equipe de pesquisa analisou os isótopos estáveis de carbono, nitrogênio e enxofre, ou seja, “rastros químicos” da alimentação que ficam registrados nos ossos, dentes, cabelos e unhas, e que podem ser preservados por milhares de anos. “Durante sua formação, os ossos e os dentes incorporam a composição isotópica dos alimentos e da água consumidos. Como resultado, sua análise pode fornecer informações sobre a dieta, a mobilidade e o ambiente em que as pessoas viviam”, explicou a pesquisadora da Área de Pré-história da UCO, Zita Laffranchi.

E se os isótopos fornecem informações sobre a alimentação, a comida pode dar pistas sobre comportamentos sociais. Nesse sentido, a pesquisa revelou uma dieta diferente de acordo com o sexo (os homens tinham maior acesso à proteína animal em comparação com as mulheres) e que se tratava de uma sociedade na qual entre 1,4% e 6,4% das pessoas eram originárias de outras regiões, o que sugere mobilidade e contatos com outras populações, algumas até mesmo distantes.

A dieta, baseada principalmente em grãos e carne, em vez de peixe, apesar da proximidade do Mar Adriático (a apenas seis quilômetros), sugere que o prestígio refletido em alguns túmulos nem sempre era acompanhado por diferenças perceptíveis nas condições de vida daqueles que foram enterrados.

“A pesquisa mostra que a desigualdade social não pode ser interpretada apenas a partir dos objetos depositados nos túmulos”, explica Laffranchi. Assim, indivíduos enterrados com objetos de grande valor, como adornos de âmbar ou armas, não apresentavam sinais isotópicos de terem se alimentado melhor do que as pessoas enterradas de forma mais humilde.

Isso sugere que o status social expresso no túmulo era uma construção simbólica que não refletia necessariamente a posição ou as condições de vida da pessoa falecida, mas provavelmente respondia, pelo menos em parte, às decisões e tradições dos sobreviventes da comunidade.

A pesquisa, publicada na revista “Journal of Archaeological Science”, traz novas evidências sobre o estilo de vida das sociedades pré-romanas da Idade do Ferro e ajuda a compreender até que ponto a diferença social, o gênero e a mobilidade se refletiam na vida cotidiana. Dessa forma, “o estudo demonstra o potencial das abordagens bioarqueológicas para compreender como as pessoas vivenciavam a identidade, a mobilidade e as diferenças sociais no passado”, afirmou Marco Milella, pesquisador da Universidade de Pisa.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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