Publicado 14/09/2026 07:39

Um estudo alerta para a elevada exposição de pessoas com comprometimento cognitivo a medicamentos potencialmente inadequados

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TOWFIQU AHAMED/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 14 set. (EUROPA PRESS) -

Um estudo do Ace Alzheimer Center Barcelona alertou para a elevada exposição de pessoas com comprometimento cognitivo a medicamentos potencialmente inadequados ou associados ao comprometimento cognitivo, após constatar que 61,6% dos pacientes estavam expostos a pelo menos um medicamento desse tipo.

A pesquisa, que analisou retrospectivamente 2.379 pessoas que procuraram o Ace pela primeira vez para uma avaliação cognitiva entre janeiro de 2024 e abril de 2025, eleva essa porcentagem para 74,5% entre aqueles que apresentavam polifarmácia e para 88,5% entre aqueles que tomavam 10 ou mais medicamentos.

O ACE explicou que, em idosos e especialmente naqueles com deterioração cognitiva, certos medicamentos podem ter efeitos sobre o sistema nervoso central e afetar o desempenho cognitivo. O estudo destaca, entre outros, a elevada presença de benzodiazepínicos e medicamentos com efeito anticolinérgico, grupos que podem estar relacionados a alterações cognitivas.

Além disso, alguns efeitos cognitivos relacionados aos medicamentos podem mimetizar ou agravar os sintomas de um processo neurodegenerativo e aumentar a complexidade do diagnóstico. Por isso, os autores ressaltaram a necessidade de revisar sistematicamente o tratamento farmacológico desses pacientes.

O estudo, publicado na revista “Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association”, também alerta para o número considerável de pacientes que tomam vários medicamentos simultaneamente. Especificamente, 67% das pessoas analisadas tomavam cinco ou mais medicamentos, enquanto 21% seguiam 10 ou mais tratamentos, o que é conhecido, respectivamente, como polifarmácia e hiperpolifarmácia.

REVISAR OS TRATAMENTOS COM FREQUÊNCIA

As descobertas não implicam que tomar muitos medicamentos seja necessariamente inadequado, uma vez que isso pode ser justificado pela presença de diferentes doenças e necessidades clínicas. No entanto, os autores destacaram que o desafio está em verificar periodicamente se cada tratamento continua sendo indicado, avaliar possíveis interações e ajustar as doses quando necessário.

Nesse sentido, o estudo aponta que 20,8% dos pacientes com polifarmácia apresentavam função renal alterada, um fator relevante para a eliminação de determinados medicamentos. O diretor de ensaios clínicos e pesquisador da Ace, Xavier Morató, autor do estudo, destacou que a alta porcentagem de polifarmácia e exposição a medicamentos potencialmente inadequados “não significa que esses tratamentos sejam a causa do deterioramento” cognitivo, “mas sim que sua revisão pode ser especialmente relevante para evitar efeitos adversos e melhorar a segurança e a qualidade do atendimento”.

Os autores do estudo utilizaram inteligência artificial (IA) para analisar as informações sobre os medicamentos que cada paciente toma, uma vez que esses dados nem sempre são registrados de forma estruturada, podendo, às vezes, aparecer no texto livre dos prontuários médicos.

A ferramenta utilizada, o modelo de linguagem Mistral 7B, permite transformar essas informações dispersas em uma visão global da exposição farmacológica de cada paciente, facilitando a identificação de possíveis riscos associados à medicação e seu tratamento.

“Precisamos de um atendimento que considere o paciente como um todo. A inteligência artificial pode nos ajudar a organizar e tornar visíveis informações que até agora eram difíceis de analisar, mas a decisão de manter, ajustar ou interromper um tratamento deve continuar sendo clínica”, destacou a diretora médica do Ace Alzheimer Center Barcelona e autora participante do estudo, Mercè Boada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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