MADRID 16 set. (EUROPA PRESS) -
O professor de Economia Pública da Universidade Católica de Milão (Itália), Massimo Bordignon, afirmou que as vacinas salvaram pelo menos 1,6 milhão de vidas na Europa durante a pandemia de COVID-19 e destacou que cada euro investido na vacinação infantil pode gerar um retorno de até 37 euros, enquanto a imunização de adultos oferece as perspectivas mais promissoras.
Foi o que afirmou o especialista durante sua palestra magistral proferida no IV Encontro sobre Vacinas e Saúde Global da Fundação Gaspar Casal, realizado pela primeira vez em parceria com o Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC).
Bordignon destacou a necessidade de os países europeus transformarem urgentemente seus sistemas de saúde, passando de um modelo puramente curativo para um baseado na prevenção.
Além disso, o palestrante destacou que a inteligência artificial acelerará o desenvolvimento nesse campo e que as vacinas também protegem contra doenças não transmissíveis — como câncer, diabetes ou doenças cardiovasculares —, responsáveis por mais de 65% das mortes.
Nesse sentido, Bordignon alertou sobre o impacto do envelhecimento demográfico, citando como exemplo países como a Itália, onde 25% da população tem mais de 65 anos e prevê-se uma redução de 3 milhões de pessoas na população economicamente ativa.
Além disso, ele ressaltou que a prevenção não deve mais ser entendida apenas como uma política de saúde, mas como uma política industrial e trabalhista fundamental, já que uma população com melhor saúde se traduz diretamente em maior capacidade de trabalho.
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
Durante o evento, também foi abordado o papel da transformação digital e da inteligência artificial como ferramentas fundamentais para avançar em direção a modelos de vacinação mais proativos, personalizados e baseados em evidências.
“Ao longo do ciclo de vida das vacinas, há inúmeras perguntas a serem respondidas, e os dados são uma matéria-prima indispensável para responder a essas questões de pesquisa, como a eficácia ou o impacto na saúde pública”, destacou Mónica López, pesquisadora especialista em estatística, IA e análise de dados na Área de Pesquisa em Vacinas da Fundação para o Fomento da Pesquisa Sanitária e Biomédica da Comunidade Valenciana (FISABIO).
Por fim, a diretora-geral de Saúde Digital e Sistemas de Informação do Sistema Nacional de Saúde, Noemí Cívicos, destacou o papel estratégico das novas infraestruturas de informação em saúde, ressaltando que “o Espaço Europeu de Dados de Saúde é o ambiente indispensável para reforçar a interoperabilidade e impulsionar o uso secundário dos dados de vacinação”.
A FARMÁCIA COMUNITÁRIA COMO POTENCIAL PONTO DE VACINAÇÃO
Em seguida, foi realizado um debate com especialistas moderado por Ana Molinero, primeira vice-presidente da Sociedade Espanhola de Farmácia Clínica, Familiar e Comunitária (SEFAC), que destacou o papel da farmácia comunitária como agente de saúde pública e sua potencial incorporação às estratégias de vacinação, analisando as principais barreiras normativas, de competência e profissionais que atualmente condicionam o desenvolvimento desse modelo na Espanha.
“A sólida experiência de Portugal na vacinação realizada por farmacêuticos comunitários, respaldada por uma formação específica, requisitos de segurança, integração com o Sistema Nacional de Saúde e registro no sistema nacional de vacinação”, afirmou Hélder Mota-Filipe, presidente da Ordem dos Farmacêuticos de Portugal.
Conforme explicou, esse modelo aumentou significativamente a capacidade e a acessibilidade à vacinação, com cerca de 7.700 farmacêuticos qualificados para aplicar vacinas e farmácias que desempenham um papel fundamental nas campanhas de vacinação contra a gripe sazonal e a COVID-19.
Do ponto de vista jurídico, Manuel Vélez, advogado e sócio da Uría Menéndez, destacou que “as farmácias também têm atribuída uma função de colaboração com programas de saúde pública, o que pode viabilizar a administração de vacinas em suas instalações”.
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