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MADRID, 9 jul. (EUROPA PRESS) -
34% dos motoristas espanhóis admitem ter dirigido sob o efeito de medicamentos que podem afetar a capacidade de dirigir, enquanto apenas 3% os identificam como um risco ao volante.
É o que consta do relatório “Medicamentos e Direção”, elaborado pelas fundações Mapfre e Bidafarma, com o apoio da consultoria Salvetti Llombart e a colaboração da Direção Geral de Trânsito (DGT) e do Conselho Geral das Ordens dos Farmacêuticos. O estudo se baseia em 2.000 entrevistas.
“Um em cada três motoristas admite dirigir após consumir medicamentos potencialmente incompatíveis com uma direção segura. Isso não implica necessariamente um comportamento irresponsável, já que, em muitos casos, decorre da falta de alternativas de deslocamento ou de uma percepção insuficiente do risco associado ao consumo desses medicamentos”, explicou nesta quinta-feira a diretora de negócios e vendas da Salvetti Llombart, Ida Castellsaguer, durante a apresentação do relatório.
De acordo com o documento, os motoristas que dirigem enquanto estão em tratamento farmacológico têm idade média de 49,9 anos, e 41% têm mais de 55 anos, sem distinção clara de sexo. Além disso, 73% utilizam o veículo para realizar tarefas cotidianas e deslocamentos pessoais.
“Estamos falando de um grupo muito presente na sociedade e que, previsivelmente, continuará crescendo à medida que a população envelhece, por isso é importante agir”, acrescentou Llombart.
O estudo tem como objetivo revelar como os motoristas espanhóis percebem o risco de dirigir sob o efeito de medicamentos, qual o impacto que esse comportamento pode ter na segurança no trânsito e quais medidas são necessárias para melhorar a prevenção, em um contexto em que entre 5% e 10% dos acidentes poderiam ser causados por esse motivo.
Apenas 25% dos motoristas habituais não tomaram nenhum medicamento que pudesse interferir na direção nos últimos três anos. Entre os motoristas que tomam medicamentos, 45% afirmam que dirigem sob o efeito dos medicamentos.
FALSA SENSAÇÃO DE CONTROLE
Além disso, 83% dos motoristas estão cientes de que os medicamentos podem afetar a direção; no entanto, apenas 58% afirmam que não dirigiriam sob o efeito dos medicamentos.
“Existe uma lacuna entre conhecer o risco e agir de acordo com ele. Essa falsa sensação de controle nos faz sentir seguros, mas, na verdade, nos expõe a um perigo real”, destacou a médica da Fundação Mapfre, Eva Arranz.
Nesse contexto, os especialistas alertam que o risco aumenta especialmente em pacientes que tomam vários medicamentos; quando combinados com álcool ou outras substâncias; e devido ao efeito cumulativo decorrente da ingestão de vários medicamentos.
“Essa menor percepção do risco pode ser ainda maior no caso de produtos sem receita médica ou produtos naturais. Muitos motoristas não identificam o risco ou acham que podem compensar os efeitos da medicação ao volante. Esse desconhecimento e essa falsa sensação de controle são, precisamente, um dos principais problemas revelados por este estudo”, destacou Arranz.
Ao avaliar as situações em que se deve ter extrema precaução, apenas 26% afirmam fazê-lo quando tomam medicamentos, e apenas 3% mencionam isso espontaneamente, o que implica que isso não está incorporado ao chamado ‘check mental’ que aciona os comportamentos preventivos antes de dirigir. Em contrapartida, situações como chuva (72%), direção noturna (60%) ou cansaço (53%) geram altos níveis de alerta entre os motoristas.
“O estudo revela que o principal desafio é transformar o conhecimento em ação preventiva, incorporando a medicação no mesmo nível que outros fatores de risco amplamente internalizados pelos motoristas, como o álcool, o sono ou as condições meteorológicas adversas”, afirmou a tesoureira do Conselho Geral das Ordens dos Farmacêuticos, Rita de la Plaza.
NÃO SÓ ANSIOLÍTICOS, MAS TAMBÉM OUTROS TIPOS DE MEDICAMENTOS
O relatório constata que os motoristas identificam com maior facilidade o risco associado a determinados medicamentos, como aqueles usados para dormir, tratar a ansiedade, a depressão ou a dor intensa. No entanto, eles tendem a subestimar os efeitos sobre a direção de outros medicamentos de uso frequente e amplamente aceitos, embora também possam afetar a direção, como remédios para gripe, antitússicos, anti-histamínicos, relaxantes musculares ou certos produtos “naturais” usados para dormir ou relaxar.
O estudo destaca que a prevenção deve ser adotada antes do início do tratamento, e não quando a pessoa já está ao volante. Nesse sentido, a prescrição na consulta médica (69%) e a dispensação na farmácia (49%) são os momentos mais eficazes para receber informações sobre os riscos e promover um comportamento preventivo.
“89% das pessoas receberam informações sobre os possíveis efeitos do medicamento antes de iniciar o tratamento. Na Espanha, contamos com uma ampla rede de profissionais de saúde capazes de transmitir mensagens de prevenção à população, e, nessa rede, a farmácia comunitária pode desempenhar um papel especialmente relevante”, destacou a diretora da Fundação Bidafarma, Manuela Villena.
QUASE METADE NÃO RECONHECE O PICTOGRAMA DE CONDUÇÃO
Além disso, 58% das pessoas afirmam reconhecer o pictograma de condução presente em alguns medicamentos, enquanto 42% indicam que não o reconhecem.
Somado a isso, alguns dos motoristas em tratamento medicamentoso entrevistados relatam que nem sempre leem o folheto informativo; só o fazem em relação a determinados medicamentos, quando recebem advertências dos profissionais de saúde ou quando percebem algum efeito colateral. Na verdade, a consulta ao folheto é feita de forma reativa, diante de dúvidas ou sintomas, e não como ferramenta preventiva antes de tomar o medicamento.
O relatório conclui que é necessário reforçar a visibilidade do risco e trabalhar de forma coordenada e multicanal entre profissionais de saúde, órgãos públicos, autoescolas, meios de comunicação e canais digitais. Além disso, defende o reforço das mensagens nos pontos de contato mais visíveis e próximos do momento do uso, como a embalagem, o folheto informativo, o recibo de compra ou, o mais importante, a farmácia
Por tudo isso, foi lançada uma campanha informativa que chegará às farmácias comunitárias de toda a Espanha. A iniciativa inclui materiais de sensibilização voltados para os pacientes e um guia prático para os farmacêuticos, com o objetivo de reforçar as informações no momento da dispensação, dar maior visibilidade ao pictograma de advertência presente em determinados medicamentos e promover uma direção mais segura.
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