MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -
A especialista do Vissum Grupo Miranza, María Concepción Guirao, destacou que o diagnóstico e o tratamento antes dos 10 anos são fundamentais para prevenir a ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, uma alteração no desenvolvimento visual que pode causar perda irreversível da visão se não for tratada durante a infância.
A ambliopia ou olho preguiçoso, a miopia, a hipermetropia, o astigmatismo e o estrabismo são algumas das alterações oculares mais frequentes durante a infância. A maioria delas pode ser tratada de forma eficaz, desde que seja detectada nos primeiros anos de vida, quando o sistema visual ainda está em pleno desenvolvimento.
Guirao destaca que, no caso do olho preguiçoso, o problema não se limita apenas ao olho: o cérebro não desenvolveu corretamente a capacidade de enxergar. Durante os primeiros anos de vida, o cérebro aprende a interpretar as imagens que recebe dos olhos e estabelece as conexões neuronais necessárias para alcançar uma visão normal.
“Um cérebro pode não aprender a enxergar corretamente por diversos motivos. Em alguns casos, isso pode ocorrer porque as estruturas do olho não funcionam adequadamente, como acontece em crianças com alterações na retina ou ceratocone, por exemplo”, explica a especialista.
Em outros casos, o problema pode ser causado por um defeito de refração que provoca ambliopia ou olho preguiçoso. “Quando esse defeito é corrigido por meio da graduação adequada, conseguimos que uma imagem nítida chegue ao cérebro. Se o cérebro não receber uma imagem nítida durante seu desenvolvimento, ele não consegue aprender a interpretar corretamente as informações visuais”, comenta a médica.
Entre 0 e 8 anos, há um período de grande plasticidade cerebral, no qual o cérebro tem maior capacidade de aprendizagem visual. “Se intervirmos durante essa fase, podemos resolver o problema”, acrescenta Guirao.
Nesse sentido, a especialista alerta para as consequências de um diagnóstico tardio. “Se uma criança precisava de óculos e não se tomou providência a tempo, mesmo que na idade adulta o defeito refrativo possa ser corrigido por meio de cirurgia, a qualidade da visão nem sempre poderá ser totalmente recuperada, pois o cérebro não terá desenvolvido adequadamente as conexões responsáveis pela aprendizagem visual”.
A PREVENÇÃO TAMBÉM COMEÇA EM CASA
Além dos exames oftalmológicos periódicos, a oftalmologista da Miranza destaca que a prevenção de alguns problemas oculares também depende dos hábitos adquiridos durante a infância, especialmente em um momento em que o uso de dispositivos eletrônicos faz parte do dia a dia de muitos alunos.
Para ajudar a prevenir e retardar a progressão da miopia, a médica recomenda que as crianças passem pelo menos duas horas por dia realizando atividades ao ar livre, sempre que possível. Além disso, ela aconselha reduzir o tempo de exposição às telas e promover um uso responsável da tecnologia.
Guirao acrescenta que “quando for necessário usar um celular, um tablet ou um computador, é importante fazê-lo com boa iluminação ambiente, manter uma distância superior a 20 centímetros da tela e fazer pausas periódicas para evitar a fadiga ocular”.
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