MADRID 4 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), o Dr. Javier de Castro, destacou a importância de um consenso liderado por essa entidade, que defende uma mudança de modelo no atendimento aos sobreviventes de câncer, no qual se aposta em uma gestão compartilhada do acompanhamento com a Atenção Primária, já que “a comunicação é fundamental”.
“Ainda existem muitas barreiras, inclusive do ponto de vista digital, entre a assistência hospitalar e a Atenção Primária”, indicou, por isso, insistiu na relevância do 'Documento de consenso entre Oncologia e Atenção Primária para o acompanhamento dos sobreviventes de câncer', que será analisado na 'Jornada SEOM de Sobreviventes de Câncer', a ser realizada no dia 11 de junho.
Nessa linha, e por ocasião da celebração, neste domingo, 7 de junho, do Dia Mundial do Sobrevivente de Câncer, De Castro destacou a colaboração existente com as sociedades espanholas de Oncologia Radioterápica (SEOR), de Médicos de Atenção Primária (SEMERGEN), de Medicina Familiar e Comunitária (semFYC) e de Médicos Gerais e de Família (SEMG). Todas elas concordam com a necessidade de um “planejamento cuidadoso do percurso de atendimento, com protocolos consensuais, ferramentas de comunicação eficazes, formação específica para os profissionais e uma participação ativa dos pacientes”.
“Felizmente, a situação está ganhando cada vez mais importância”, pois “na Espanha, ultrapassamos os 2,2 milhões de pessoas que consideramos sobreviventes”, sendo “23 milhões na Europa”, continuou ele, acrescentando que já não se fala “em sobreviventes de longa data”. “Em muitos casos, graças aos avanços e aos tratamentos cada vez mais eficazes, que buscam também a qualidade de vida”, essa concepção se dá “desde o diagnóstico”, explicou.
MUDANÇA NA DEFINIÇÃO DE SOBREVIVENTE
A esse respeito, a coordenadora do Grupo de Trabalho SEOM de Sobreviventes de Câncer, a doutora Ruth Vera, afirmou que é necessária “uma mudança na definição de sobrevivente”, sendo a tradicional, por exemplo, aquela de que “após cinco anos no câncer de mama, a paciente não tem mais a doença e está curada”. “Agora, qualquer pessoa é considerada sobrevivente desde o diagnóstico”, compartilhou ela, e isso se aplica “com ou sem doença” e “com ou sem tratamento”, algo que surge no âmbito “internacional”.
“Graças aos novos tratamentos, graças à melhor coordenação com outras especialidades”, ocorreu essa mudança, o que representa “um grande desafio”, que é o de “atender esses pacientes da melhor maneira possível”, cujo número “está aumentando”. É nesse contexto que surgiu a necessidade de “definir bem” as pessoas a serem consideradas, conhecer as “necessidades” do paciente e estabelecer “qual modelo de atendimento era o melhor”.
Nesse sentido, Vera afirmou que o objetivo foi não centrar a análise “apenas em aspectos clínicos”, mas “olhar um pouco além” e levar em conta “necessidades sociais, psicológicas, laborais e familiares”. Por isso, De Castro considera que é necessária a “multidisciplinaridade” para “prestar a melhor assistência ao paciente oncológico” e para “o acompanhamento de que ele necessita para restabelecer sua vida da melhor maneira possível”.
Para alcançar isso, este último destacou a importância da “formação”, área na qual a SEOM tem previsto um curso no qual os profissionais poderão se inscrever a partir de 16 de junho. Isso é necessário devido à mudança de modelo e de definição dos pacientes, que “passam a conviver com o câncer da melhor maneira possível”.
Vera, que destacou outro consenso desta sociedade científica centrado em pacientes de 18 a 39 anos e com a colaboração da “Oncologia Pediátrica e Hematologia”, detalhou o novo modelo de atendimento e acompanhamento, que deve ser “individualizado e compartilhado”, e que garanta um atendimento contínuo que possa ser adaptado a cada meio e área de saúde.
“Quando um paciente recebe alta, entre aspas, da Oncologia e passa para o acompanhamento da Atenção Primária, ele precisará ter um relatório com determinadas características de informação”, já que “não é a mesma coisa dependendo do tipo de tumor e da idade”, continuou ela, em seguida, expressou que “é preciso haver uma forma de retorno ao hospital, que seja rápida e com circuitos, caso haja algum problema”. Além disso, esse documento deve conter “tratamentos e sequelas”, entre outros aspectos.
CONTATO DIRETO ENTRE AS DUAS ESPECIALIDADES
Também participaram da exposição o membro do Conselho Diretor da SEMERGEN, o Dr. Vicente Martín, e a integrante do Grupo de Trabalho de Genética da SEMG, a Dra. Fátima Sáez. Esta última, que destacou o “contato direto entre oncologistas e médicos de família”, lamentou, por outro lado, o fato de haver comunidades autônomas, como “Madri”, nas quais isso não é possível devido à “livre escolha” do paciente.
“Em Madri, muitos pacientes estão em acompanhamento em hospitais que não são seu hospital de referência”, pelo que essa comunicação “ocorre por meio do paciente”, expôs ela. Por outro lado, destacou a importância do “direito ao esquecimento oncológico”, que “foi regulamentado recentemente”, já que é necessário que os pacientes não encontrem “barreiras” na hora de, por exemplo, “contratar qualquer produto financeiro”.
Por fim, Martín destacou que, “graças às melhorias no prognóstico, nos exames de triagem e na detecção precoce”, além de outros avanços, “passamos de uma situação em que, há 40 anos, um em cada três pacientes morria antes dos cinco anos para uma situação em que, atualmente, dois em cada três vivem mais do que esses cinco anos”. Agora, “acompanhamos a vida deles, e não mais um processo de morte”, comemorou.
“Essa mudança exige que nós, médicos de família, nos formemos” em questões de toda a natureza emocional, bem como “aumentemos as ações de prevenção primária”, uma vez que “os pacientes com câncer apresentam risco aumentado de desenvolver um novo câncer”, afirmou, especificando esse risco “em 20%”.
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