Publicado 11/09/2025 06:38

UE inicia debate sobre o Chat Control 2.0 para coibir o abuso infantil on-line

Uma criança escrevendo.
PIXABAY.

MADRI, 11 set. (Portaltic/EP) -

A União Europeia (UE) retomou o debate sobre o Chat Control 2.0 sob a presidência dinamarquesa do Conselho da UE, que mais uma vez colocou os holofotes sobre a varredura de chats privados para combater o abuso infantil online.

Atualmente, existe uma regulamentação que permite que os provedores de serviços de comunicação dos EUA façam a varredura de mensagens de forma voluntária, conhecida como Chat Control 1.0, que foi prorrogada até abril de 2026 em abril de 2024.

Por outro lado, o Regulamento 2022/0155, denominado Chat Control 2.0, um sistema proposto pela Comissão Europeia para substituir o anterior e ter um monitoramento generalizado das conversas dos usuários em aplicativos de mensagens, como WhatsApp ou Messenger, foi apresentado em 11 de maio de 2022.

A regulamentação exigia que as empresas monitorassem constantemente as mensagens privadas para detectar e denunciar às autoridades conteúdo relacionado a abuso sexual infantil.

Essa iniciativa foi amplamente criticada pelos estados membros e por diferentes organizações, pois significava o fim da criptografia de ponta a ponta (E2EE) em plataformas de mensagens, um sistema que permite que apenas o remetente e o destinatário acessem o conteúdo das mensagens.

A regra foi rejeitada pela última vez em dezembro de 2024 em uma votação do Conselho da UE, mas a Dinamarca colocou a proposta de volta na agenda ao assumir a presidência do Conselho em julho e chamá-la de "alta prioridade". De fato, o país dinamarquês apresentou um projeto de lei para trazê-la de volta aos canais legislativos no dia em que assumiu a presidência.

Registros vazados de uma reunião a portas fechadas em julho, relatados pelo meio de comunicação alemão NetzPolitik, mostram que o texto apresentado pela Dinamarca mantém as propostas anteriores feitas pela Bélgica e pela Hungria, que não concediam nenhuma proteção às conversas criptografadas.

Embora os detalhes da proposta dinamarquesa não tenham sido divulgados, a regra que a Hungria lançou sob sua presidência no segundo semestre de 2024 incluía medidas como "quebrar a criptografia mantendo a segurança em sincronização com os provedores de comunicação", limitando o conteúdo analisado a imagens e endereços da Web ou a aceitação do usuário para realizar a varredura (embora, se ele se recusasse, o serviço de mensagens limitaria o envio de conteúdo multimídia em qualquer formato).

A Polônia, por sua vez, propôs que o monitoramento das conversas fosse voluntário e que a lei não abrangesse os bate-papos criptografados dos usuários, em uma versão mais moderada da proposta, mas isso foi abandonado durante as negociações.

ESPANHA, ITÁLIA E HUNGRIA, FORTES DEFENSORES DO CONTROLE DE CHAT 2.0

Alguns países, como Espanha, Itália e Hungria, foram a favor da implementação dessa regulamentação no passado e se manifestaram a favor da proposta dinamarquesa.

Nesse sentido, a Espanha reconheceu que seria "desejável impedir legislativamente que os provedores de serviços baseados na UE implementassem a criptografia de ponta a ponta", de acordo com um documento vazado pela Wired de 2023.

Em contrapartida, a França tem sido mais hesitante, de acordo com o documento vazado pela NetzPolitik. Depois de inicialmente se opor à proposta, ela declarou nas negociações do Conselho da UE em julho que "pode basicamente apoiar a proposta".

Outros países, como a Bélgica e a Estônia, têm relutado em introduzir tais regulamentações em nível nacional, enquanto a Alemanha tem rejeitado repetidamente medidas mais rigorosas, como a varredura de comunicações criptografadas ou a evasão da criptografia de ponta a ponta, embora ainda não tenha deixado clara sua posição.

Entre os países que se opõem ao monitoramento obrigatório de bate-papos, a Polônia tem sido o mais veemente, argumentando em julho que a medida enfraquecia a segurança cibernética e facilitava ataques do exterior.

Algumas organizações já se posicionaram contra o Chat Control 2.0, como o Xnet Institute for Democratic Digitalisation, que alerta sobre o projeto de "monitoramento massivo de conversas privadas" e pede que o Ministério do Interior mude de ideia, já que os estados membros devem definir suas posições na sexta-feira, 12 de setembro.

Eles também alertam que o projeto está voltando "com uma versão ainda mais radical": "A novidade que piora a situação é que, antes, o projeto procurava imagens que já eram conhecidas, ou seja, a IA estava procurando algo em particular e não escaneando tudo. Agora ela está considerando escanear tudo", explicou a fundadora da Xnet, Simona Levi, em entrevista à Europa Press.

O SERVIÇO JURÍDICO DO CONSELHO JÁ SE OPÔS

Por outro lado, o mesmo Serviço Jurídico do Conselho concluiu, há dois anos, que a lei Chat Control 2.0 viola os direitos fundamentais dos cidadãos europeus, além de apontar que uma decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos argumentou que a lei levou a um "enfraquecimento da criptografia de ponta a ponta que afetaria todos os usuários".

Nesse julgamento, o tribunal explicou que a criptografia de ponta a ponta é uma "ferramenta crucial" para garantir a confidencialidade das comunicações eletrônicas, pois fornece "proteções técnicas robustas".

O Conselho de Justiça e Assuntos Internos se reunirá nos dias 13 e 14 de outubro, de acordo com o site oficial da presidência dinamarquesa, enquanto uma minuta da agenda da presidência indica que a regulamentação entre os estados membros será discutida nessas datas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado