UNIVERSIDAD DE ALCALÁ DE HENARES
ALCALÁ DE HENARES 7 out. (EUROPA PRESS) -
O Hospital Universitário Príncipe de Astúrias e o grupo de pesquisa Computação em Saúde e Sistemas Inteligentes (HCIS) da Universidade de Alcalá (UAH) participaram do desenvolvimento de um sistema de Inteligência Artificial capaz de detectar a presença de Trichomonas vaginalis, um dos microrganismos responsáveis pela infecção sexualmente transmissível (IST) não viral mais comum no mundo, a tricomoníase.
O trabalho, publicado na revista “Diagnostics”, demonstra que a aplicação da Inteligência Artificial em imagens microscópicas obtidas durante a prática clínica habitual pode melhorar a capacidade diagnóstica de uma técnica amplamente utilizada nos laboratórios (a coloração de Gram), sem a necessidade de incorporar novos exames nem modificar os fluxos de atendimento.
Para validar o sistema, o serviço de Microbiologia do hospital de Alcalá realizou um teste independente com 380 imagens, que serviu como padrão de referência para que a equipe de engenheiros da UAH treinasse o algoritmo a detectar os casos positivos e validasse esse modelo de inteligência artificial.
Os resultados demonstraram um alto desempenho diagnóstico do sistema, que identificou corretamente 93% dos casos positivos.
IMPLICAÇÕES DOS RESULTADOS
Conforme explicaram os responsáveis pelo estudo, esses dados indicam que o sistema poderia ser integrado no futuro como uma ferramenta de apoio à decisão clínica ou de triagem em laboratórios de microbiologia, ajudando os profissionais a identificar casos duvidosos e promovendo um diagnóstico mais precoce, especialmente em ambientes onde o acesso a técnicas moleculares é limitado.
Para os pesquisadores, um dos principais valores dessa tecnologia é que as informações extraídas da preparação microscópica de rotina — que são difíceis de reconhecer visualmente para muitos microbiologistas — se transformam em informações diagnósticas de apoio para a equipe de saúde. Dessa forma, o sistema poderia servir para selecionar mais rapidamente os casos suspeitos que necessitam de uma avaliação adicional ou de um teste molecular de confirmação.
Agora, o próximo passo será validar o sistema em estudos prospectivos e em diferentes ambientes de atendimento, tudo com o objetivo de facilitar uma futura incorporação desse sistema à prática clínica de rotina.
UM DIAGNÓSTICO MAIS ACESSÍVEL
A tricomoníase afeta, a cada ano, entre 170 e 190 milhões de pessoas em todo o mundo. Nas mulheres, a infecção pode causar corrimento vaginal anormal, coceira, irritação e desconforto ao urinar ou durante as relações sexuais.
Uma proporção significativa dos casos de tricomoníase é assintomática, o que dificulta seu diagnóstico. Se não for tratada, pode estar associada a complicações como doença inflamatória pélvica, infertilidade, parto prematuro e baixo peso ao nascer, além de aumentar o risco de contrair ou transmitir outras infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.
Na Espanha, a prevalência dessa doença é de 3%, um percentual inferior ao registrado em outras regiões do mundo, mas continua representando um importante problema de saúde pública, pois um número elevado de casos não apresenta sintomas, o que dificulta o diagnóstico e favorece a transmissão.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático