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Ele é acompanhado na China por uma numerosa delegação empresarial, composta por 16 altos executivos de grandes multinacionais americanas
MADRID, 13 maio (EUROPA PRESS) -
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, viaja nesta quarta-feira a Pequim para uma visita oficial que o levará a se reunir com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em um encontro que se concentrará em questões comerciais e na trégua tarifária, com a situação em Taiwan também em pauta e a guerra não resolvida no Irã como pano de fundo.
Antes de iniciar a visita — a primeira em nove anos de um presidente norte-americano (foi o próprio Trump, durante seu primeiro mandato na Casa Branca, em novembro de 2017, o último a se reunir com Xi em solo chinês) —, o presidente norte-americano afirmou que “grandes coisas” aguardam tanto os Estados Unidos quanto a China no âmbito da visita, após dias insistindo na boa sintonia que o une ao líder asiático.
“Estou muito ansioso para viajar à China, um país incrível, com um líder, o presidente Xi, respeitado por todos. Grandes coisas nos aguardam em ambos os países”, assinalou nas últimas horas através de suas redes sociais.
Entre as questões mais espinhosas no encontro entre os líderes das duas superpotências mundiais está a situação da dissidência interna na China, como a prisão de Jimmy Lai, opositor de Hong Kong, a quem Trump mencionou repetidas vezes e cuja libertação ele disse que exigirá de seu colega chinês durante a cúpula. Pequim, sem entrar nas hesitações de Trump, insistiu que o opositor é “o principal instigador” dos “distúrbios” no enclave no final da década passada, que culminaram em sua prisão em 2020.
Da mesma forma, a questão de Taiwan, ilha sob constante ameaça de uma unificação à força com o resto da China continental, estará presente na cúpula dos líderes mais poderosos do mundo neste momento. Trump invocou sua boa relação com Xi para insistir que Pequim sabe que Washington não quer ver nenhum movimento em torno do território e comparou a situação às aspirações russas sobre a Ucrânia, depois de repetir exaustivamente que a invasão não teria ocorrido com ele na Casa Branca.
“Se você tiver o presidente certo, não acredito que isso vá acontecer. Ficaremos bem. Tenho um ótimo relacionamento com o presidente Xi e ele sabe que não quero que isso aconteça”, afirmou ele sobre possíveis movimentos da China contra Taiwan.
De qualquer forma, as aspirações de Pequim passam por arrancar de Washington um compromisso maior de não fornecer armamento a Taipé. “A firme oposição da China às vendas de armas dos Estados Unidos à região chinesa de Taiwan é constante e clara”, destacou nesta terça-feira o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.
Do lado da China, insistem que a cúpula deve promover o “profundo intercâmbio de opiniões sobre as principais questões relacionadas às relações entre a China e os Estados Unidos, bem como sobre a paz e o desenvolvimento mundiais”.
Como pano de fundo da visita histórica, os Estados Unidos encontram-se atolados na guerra lançada ao lado de Israel contra o Irã, da qual não se vislumbra o fim após seis semanas de ofensiva que deram lugar a uma trégua indefinida e a conversações estagnadas há mais de um mês, com contatos discretos, mas evidenciando as diferenças entre Washington e Teerã sobre a questão nuclear iraniana ou a forma de reabrir o estratégico estreito de Ormuz, cenário para o qual as tensões se transferiram há semanas.
Do lado do gigante asiático, tem-se insistido em privilegiar a via diplomática para pôr fim ao conflito no Irã, e nos bastidores tem trabalhado com países mediadores, como o Paquistão, para uma proposta que coloque em primeiro plano o respeito à coexistência pacífica, a soberania nacional, o Direito Internacional e o equilíbrio entre desenvolvimento e segurança.
Embora a China afirme que “a prioridade absoluta continua sendo evitar um reinício do conflito” no Irã, Trump tem feito repetidas alusões de que Pequim é extremamente afetada pelo bloqueio de Ormuz, razão pela qual considera que ela deveria se envolver nos esforços para reabrir o estreito, que Teerã mantém fechado e sobre o qual paira um bloqueio perimetral da Marinha dos Estados Unidos para impedir o acesso aos portos iranianos.
QUESTÕES ECONÔMICAS E DELEGAÇÃO COMERCIAL
Além disso, os líderes das duas superpotências abordarão diversas questões de natureza econômica quando se reunirem em Pequim, em particular as relações comerciais entre ambas as economias, após a trégua tarifária acordada pelos dois presidentes em seu último encontro em outubro de 2025 em Busan, na Coreia do Sul.
Antes do encontro entre os dois presidentes, está previsto que delegações de alto nível dos Estados Unidos e da China, lideradas respectivamente por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, e pelo vice-primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, He Lifeng, realizem consultas comerciais e econômicas na vizinha Coreia do Sul.
Assim, enquanto se espera que Washington insista para que Pequim impulsione os investimentos chineses com maiores compras de aeronaves, carne bovina e soja dos Estados Unidos, além de facilitar o acesso de empresas americanas ao seu mercado, prevê-se que Pequim insista na redução das tarifas sobre suas exportações ou, pelo menos, na prorrogação da trégua acordada em outubro de 2025.
As autoridades chinesas também esperam que Washington flexibilize os controles sobre as importações de semicondutores pela China.
Na visita oficial à China, que se estende até a próxima sexta-feira, Trump estará acompanhado por uma numerosa delegação empresarial, entre a qual figuram 16 altos executivos de grandes multinacionais americanas, incluindo o CEO da Apple, Tim Cook, bem como Elon Musk, fundador e CEO da Tesla e da SpaceX, mas não o CEO da Nvidia, Jensen Huang.
Um funcionário da Casa Branca precisou à Europa Press que, além de Musk e Cook, também viajam com a delegação enviada à China: Robert Kelly Ortberg, CEO da Boeing; Ryan McInerney, da Visa; Larry Fink, da Blackrock; Stephen Schwarzman, da Blackstone; Brian Sikes, da Cargill; e Jane Fraser, do Citi.
A eles se juntam Jim Anderson, da Coherent; H. Lawrence Culp, da GE Aerospace; David Solomon, da Goldman Sachs; Jaboc Thaysen, da Illumina; Michael Miebach, da Mastercard; Dina Powell McCormick, da Meta; Sanhay Mehrotra, da Micron, e Cristiano Amon, da Qualcomm.
Destaca-se a ausência de Jensen Huang, CEO da Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo, que na semana passada indicou em uma entrevista à rede CNBC que, caso fosse convidado por Trump, consideraria “um privilégio e uma grande honra” representar os Estados Unidos na visita oficial a Pequim.
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