MADRID 30 abr. (EUROPA PRESS) -
O principal erro em casos de entorses é não respeitar os tempos de recuperação, já que um "retorno prematuro" às atividades esportivas pode favorecer entorses recorrentes, situação que gera instabilidade crônica no tornozelo e que, a médio ou longo prazo, pode acelerar o desgaste da cartilagem e levar à artrose, segundo o traumatologista da Policlínica Gipuzkoa e especialista em Pé e Tornozelo, Juan Zaldúa.
Uma entorse ocorre quando há uma torção do tornozelo que provoca uma “distensão ou ruptura dos ligamentos” que conferem estabilidade à articulação, mas o prognóstico “depende do grau da lesão e da existência de danos associados”.
Com a chegada da primavera e o aumento das atividades esportivas ao ar livre, como corridas populares, trail running, escalada, caminhadas ou esportes coletivos, também aumenta a incidência desse tipo de lesão.
“Terrenos irregulares, descidas íngremes, mudanças bruscas de direção e rotações rápidas do pé aumentam o risco de sofrer uma entorse. Em esportes como a corrida de montanha, as descidas sobre pedras soltas frequentemente causam entorses em inversão, que afetam não apenas os ligamentos, mas também outras estruturas do tornozelo”, destacou.
Nesse sentido, um dos principais erros, segundo Zaldúa, é subestimar a lesão, já que se tende a normalizar a entorse e a pensar que “todas evoluem bem”, mas, em muitos casos, “não é feito um diagnóstico preciso e isso condiciona uma má evolução”.
“Existem diferentes graus de gravidade, desde uma leve distensão ligamentar até uma ruptura completa, que pode ser acompanhada de lesões no cartilagem ou nos tendões peroneais, fundamentais para a estabilidade do tornozelo”, explicou.
PROCURAR O MÉDICO EM CASO DE SINTOMAS PERSISTENTES
Nesse sentido, Zaldúa insistiu na importância de consultar um traumatologista quando os sintomas persistem por mais de duas a quatro semanas.
Os sinais de alerta mais frequentes são inflamação, dor persistente, sensação de instabilidade ou limitação da mobilidade. Nesses casos, segundo o especialista, é necessário realizar exames de imagem, como ultrassom ou ressonância magnética, para “descartar lesões associadas que agravam claramente o prognóstico”.
Quando se descarta uma fratura, o tratamento inicial de uma entorse geralmente consiste em repouso relativo, aplicação de frio e, em alguns casos, bandagem funcional. Posteriormente, a fisioterapia desempenha um “papel fundamental” para reduzir a inflamação, recuperar a mobilidade e planejar um retorno gradual à atividade física.
Nos casos mais leves, a atividade esportiva pode ser retomada “de forma gradual” em um prazo de quatro a oito semanas. No entanto, quando há uma ruptura completa do ligamento ou lesões associadas, a recuperação pode se prolongar por vários meses e, em situações específicas, exigir cirurgia.
A intervenção costuma ser minimamente invasiva e o paciente recebe alta no mesmo dia, mas o fundamental é chegar a ela com um diagnóstico claro", destacou.
Para prevenir novas lesões, Juan Zaldúa ressaltou a importância de trabalhar a musculatura do pé e do tornozelo, já que melhorar a força e a propriocepção é "a base da estabilidade". Ele também recomendou avaliar a pisada e, apenas em casos selecionados, utilizar palmilhas estabilizadoras.
Movimentos como o “barefoot” ou andar descalço buscam, precisamente, ativar a musculatura intrínseca do pé. “Um pé forte protege o tornozelo. A prevenção não depende apenas do calçado, mas do trabalho pessoal e constante”, concluiu.
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