Publicado 02/06/2026 06:15

O tratamento da obesidade deve ser acompanhado de orientação e acompanhamento de longo prazo, segundo especialistas

XVII Curso Avançado sobre Obesidade da SEEDO.
SOCIEDAD ESPAÑOLA PARA EL ESTUDIO DE LA OBESIDAD

MADRID 2 jun. (EUROPA PRESS) -

Os avanços terapêuticos no tratamento da obesidade devem ser acompanhados por formação profissional, diagnóstico adequado, acompanhamento de longo prazo, trabalho multidisciplinar e uma abordagem livre de estigma, segundo o presidente da Sociedade Espanhola para o Estudo da Obesidade (SEEDO), Diego Bellido, que participou do XVII Curso Avançado em Obesidade, no qual se reuniram cerca de 200 especialistas das áreas de endocrinologia, nutrição, pesquisa translacional, medicina clínica, atividade física, cirurgia e abordagem multidisciplinar da obesidade.

“O tratamento da obesidade não pode ser encarado como uma intervenção pontual, mas como um processo contínuo que exige acompanhamento, avaliação periódica e adaptação individualizada”, destacou.

Neste curso, também se discutiu se se deve priorizar o investimento na prevenção primária ou na prevenção secundária, mas os especialistas concluíram que ambas as estratégias são “necessárias e complementares”.

“A prevenção primária é imprescindível para atuar sobre os determinantes sociais, ambientais e comportamentais que favorecem o desenvolvimento da obesidade, enquanto a prevenção secundária permite detectar precocemente a doença, reduzir complicações e melhorar o prognóstico daqueles que já apresentam excesso de adiposidade ou alterações metabólicas associadas”, indicou Bellido.

Um dos eixos principais do evento foi a análise do ecossistema terapêutico dos agonistas do receptor GLP-1 e das novas terapias incretínicas. Especificamente, aprofundou-se a discussão sobre as sinergias e possíveis antagonismos entre o tratamento farmacológico, a intervenção nutricional, a terapia comportamental e o exercício físico.

“Considera-se que os novos medicamentos representaram uma mudança relevante no tratamento da obesidade, mas seu uso deve sempre ser integrado a um modelo clínico estruturado, com acompanhamento profissional e intervenções sobre alimentação, atividade física, comportamento e saúde metabólica”, afirmou o presidente da SEEDO.

A doutora do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Universitário Infanta Sofía de Madri e secretária-geral da SEEDO, Sharona Azriel, afirmou, nesse sentido, que “o investimento mais eficaz é aquele que combina a prevenção primária para evitar novos casos com uma prevenção secundária intensiva e precoce, por meio de medicamentos de nova geração, para minimizar a morbimortalidade e os custos decorrentes das complicações crônicas da obesidade”.

TRÊS FORMAS DE ESTUDAR O TECIDO ADIPOSO

Por sua vez, a membro da SEEDO e co-coordenadora da Área de Endocrinologia, Nutrição e Metabolismo do IDIS em Santiago de Compostela, Mª Luisa Seoane, explicou que a biópsia tecidual, a biópsia líquida e a epigenética são três formas de estudar o tecido adiposo na obesidade, mas com o mesmo objetivo: obter uma fenotipagem precisa da obesidade. Essa abordagem permite aprofundar a necessidade de avançar em direção a uma “medicina mais personalizada, capaz de identificar melhor os diferentes perfis biológicos, clínicos e metabólicos dos pacientes”.

Os novos medicamentos que imitam as incretinas atuam reduzindo o apetite e facilitando a perda de peso, superando parte da resistência biológica que ocorre na obesidade. Ao diminuir essa pressão biológica, o profissional “pode se concentrar melhor na terapia comportamental”: mudança de hábitos, relação com a alimentação, controle das emoções e prevenção de recaídas.

Quanto à melhor aliada nutricional no combate à obesidade, o debate tem se concentrado tanto na dieta cetogênica quanto na mediterrânea, esclarecendo que ambas podem ser eficazes para a perda de peso, mas com perfis muito diferentes. A dieta cetogênica costuma produzir perdas de peso mais rápidas, embora não seja adequada para todos os pacientes e exija um acompanhamento muito rigoroso por parte de médicos e nutricionistas, dada a sua complexidade e possíveis efeitos colaterais. Por sua vez, a dieta mediterrânea tem melhor adesão e é válida praticamente para qualquer pessoa, sendo, portanto, mais sustentável a longo prazo.

Por sua vez, o membro da SEEDO e do Grupo de Exercício Físico e Obesidade, o professor David Jiménez Pavón, afirmou que o exercício é outro pilar fundamental para combater a obesidade, mas ressaltou que se deve apostar em um “treinamento inteligente”, no qual a qualidade é mais importante do que a quantidade.

“Não se trata apenas de fazer mais, mas de fazer melhor: um programa de exercícios deve começar com um estímulo de boa qualidade, adaptado ao perfil clínico e às capacidades de cada paciente. A partir dessa base, a quantidade (volume, frequência, duração) é aumentada de forma progressiva, evitando lesões e desistência. A qualidade não se resume à intensidade, mas à organização inteligente do treinamento: planejamento de sessões, variação de exercícios e combinação equilibrada de trabalho de força, resistência e mobilidade”, acrescentou.

COMBINAÇÃO DE PROTEÍNA, EXERCÍCIO E SUPLEMENTOS

Nesse sentido, também se destacou a saúde muscular, concluindo-se que a combinação de proteína, exercício e suplementos bem escolhidos é a receita para obter uma musculatura que proteja a saúde metabólica. A sessão mostrou como a massa muscular atua como um verdadeiro “seguro de vida metabólico”, ajudando a controlar a glicose, o gasto energético e a saúde geral. Para mantê-la, segundo os especialistas, é “fundamental” uma alimentação equilibrada com proteína suficiente e, quando necessário, suplementos como leucina, creatina, magnésio ou vitamina D, sempre sob orientação profissional.

Da mesma forma, o exercício adaptado e progressivo é essencial e, por outro lado, o uso de medicamentos para aumentar a massa muscular não se mostrou uma estratégia segura nem eficaz para compensar as perdas musculares associadas a dietas de emagrecimento.

O curso incluiu também uma sessão específica sobre GLP-1 e dependências, um campo emergente de pesquisa que desperta crescente interesse pela possível relação entre essas terapias e os circuitos de recompensa, o apetite, o comportamento alimentar e outros comportamentos de dependência. Com base no estado atual das evidências e nas linhas de pesquisa, observam-se alguns avanços nessa área.

No que diz respeito à abordagem da cronicidade na era das incretinas, foram compartilhados aspectos “especialmente relevantes” para a prática clínica, como o abandono do tratamento durante o primeiro ano, as estratégias de redução ou ajuste terapêutico, o manejo de pacientes que não respondem ao tratamento e o papel da tecnologia digital no acompanhamento. Da mesma forma, foi analisado qual pode ser o melhor aliado do GLP-1, revisando o papel do GIP, do anti-GIP, do glucagon e da amilina, bem como a chegada dos poligagonistas, considerados uma das próximas fronteiras no tratamento da obesidade e das doenças metabólicas associadas.

Por fim, o curso permitiu refletir sobre a necessidade de mudar o diálogo em torno da obesidade, destacando a importância de combater o estigma, evitar mensagens culpabilizantes e promover uma comunicação social e de saúde mais respeitosa, rigorosa e centrada na pessoa. Para a SEEDO, a obesidade não deve ser entendida como uma “simples questão de vontade individual”, mas como uma doença complexa na qual intervêm fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e ambientais.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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