Publicado 08/05/2026 12:46

O “transtorno causado pelo trabalho em turnos” é “real” e “poderia ser considerado uma doença profissional”, segundo especialista

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CHALABALA/ ISTOCK - Arquivo

MADRID 8 maio (EUROPA PRESS) -

O diretor do Instituto de Pesquisas do Sono, o Dr. Diego García-Borreguero, afirmou que o “transtorno causado pelo trabalho em turnos” é “algo real, com evidências científicas, que está oficialmente definido” e “poderia ser considerado uma doença profissional”.

“Ao trabalhar em turnos, dormimos em um contexto fisiológico que produz um sono de pior qualidade, menos profundo e com despertares frequentes, o que faz com que nosso cérebro não se recupere adequadamente e não estejamos suficientemente preparados para o máximo rendimento”, explicou durante sua participação na “I Jornada sobre o Impacto do Trabalho em Turnos”.

Em sua opinião, isso gera “maior propensão a cometer erros” no desempenho profissional. Foi o que ele indicou neste evento organizado pela Associação Profissional de Controladores de Tráfego Aéreo (APROCTA), pelos sindicatos espanhóis de Pilotos de Linhas Aéreas (SEPLA) e de Maquinistas Ferroviários (SEMAF), pelas Ordens dos Médicos de Madri (ICOMEM), de Médicos de Barcelona (COMB) e dos Oficiais da Marinha Mercante (COMME), e pela Associação Unificada de Guardas Civis (AUGC).

"O índice de morbidade de um trabalhador em turnos aos 50 anos é o mesmo que o de outro trabalhador sem turnos aos 65 anos, portanto, sua expectativa de vida é menor”, continuou ele, acrescentando que esses funcionários “têm 65% mais chances de apresentar deterioração cognitiva, sete vezes mais chances de sofrer de hipertensão arterial ou quatro vezes mais chances de desenvolver uma doença coronariana”.

Nesse sentido, ele expôs que “as probabilidades de sofrer um AVC isquêmico aumentam 4% a cada cinco anos trabalhando em turnos”. Além disso, é “um fator de risco para o câncer”, já que há “20% a 50% mais chances de ter câncer de mama, 25% a 35% mais para o de próstata e 11% a 25% mais para o colorretal”, afirmou.

A FADIGA AFETA AS PERTURBAÇÕES COGNITIVAS

“A fadiga e a dessincronização circadiana afetam as perturbações cognitivas, o sistema físico, o afetivo e a qualidade do desempenho no trabalho, sendo responsáveis por 21% a 27% dos acidentes de trabalho”, declarou, por sua vez, o professor catedrático de Psicologia Diferencial da Universidade Complutense de Madri (UCM), Juan Francisco Díaz-Morales, que acrescentou que a “assincronia” que implica viver em desalinhamento com o ritmo biológico faz com que a pessoa se acostume “a determinados sintomas, como a sonolência, o que pode gerar uma falsa sensação de autoconfiança”.

Tudo isso em um contexto em que, conforme indicado neste evento realizado em Madri, na sede da Agência Estatal de Segurança Aérea (AESA), estima-se que cerca de dois milhões de pessoas trabalhem em turnos na Espanha, enquanto, em nível europeu, esse número seria de cerca de 20% dos profissionais em atividade.

“Gerenciar o risco de fadiga é um fator essencial para a segurança, o que implica o compromisso e a responsabilidade dos reguladores, das empresas e dos profissionais”, destacou, em relação ao setor que representa, o subdiretor do Departamento Técnico da SEPLA, Ángel González. Ele e os demais palestrantes demonstraram seu compromisso em “avançar para modelos de organização do trabalho que reduzam os efeitos negativos do trabalho em turnos”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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