Publicado 27/04/2026 08:56

A transição da consulta pediátrica para a consulta de adultos em pacientes transplantados pode causar ansiedade, segundo especialist

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MADRID 27 abr. (EUROPA PRESS) -

O responsável pela Unidade de Transplante Hepático Infantil do Hospital Universitário La Paz, em Madri, Esteban Frauca, alertou que a transição do consultório pediátrico para a unidade de adultos em pacientes transplantados de fígado e rim pode gerar “ansiedade, insegurança e dificuldades em seu desenvolvimento pessoal”.

Segundo Frauca, essa transição coincide com uma etapa vital “complexa”, na qual os jovens devem construir sua identidade, conquistar independência e tomar decisões sobre seu futuro. A isso se soma a responsabilidade de lidar com uma doença crônica e um tratamento exigente, em um novo ambiente de atendimento.

Além disso, essa transição também costuma ter implicações clínicas relevantes. “Um dos problemas mais frequentes é a diminuição da adesão ao tratamento. Ao passar de um ambiente muito protegido para outro onde se espera maior autonomia, há jovens que se esquecem da medicação ou têm mais dificuldades para manter a regularidade nas consultas, o que pode aumentar o risco de rejeição do enxerto ou de complicações”, destaca a especialista em transplante hepático do Hospital Universitário Río Hortega de Valladolid, Gloria Sánchez.

Segundo os especialistas, nas unidades pediátricas, o ambiente de atendimento está muito ligado à família. Assim, pais e mães desempenham um papel fundamental na gestão do tratamento e no acompanhamento emocional; no entanto, no atendimento a adultos, o foco muda. O paciente deve assumir progressivamente o controle de sua saúde, o que implica conhecer sua doença, cumprir o tratamento e gerenciar consultas e exames.

“A família é sempre importante, mas seu papel precisa evoluir. Enquanto, na fase pediátrica, a família costuma assumir grande parte da responsabilidade pelo tratamento, na transição para a vida adulta é necessário que esse papel passe progressivamente a ser mais de acompanhamento do que de supervisão direta”, explicou Sánchez.

Como ambos os especialistas concordam, “a família pode facilitar que o processo seja mais gradual e seguro, ajudando a reforçar hábitos de autocuidado, adesão ao tratamento e comparecimento às consultas. Além disso, proporciona um apoio emocional fundamental em uma fase de mudanças pessoais importantes”.

De qualquer forma, afirmam que essa mudança nem sempre é fácil. A perda do vínculo com a equipe pediátrica e a sensação de enfrentar um novo ambiente podem gerar incerteza e, em alguns casos, uma percepção de desproteção.

Assim, eles apontam que a fase de transferência e pós-transferência do paciente pediátrico transplantado de fígado ou rim para a unidade de adultos requer planejamento, coordenação e acompanhamento contínuo.

UM NOVO PROTOCOLO PARA MELHORAR A TRANSIÇÃO

Com o objetivo de enfrentar esses desafios, a empresa Astellas desenvolveu, em colaboração com hepatologistas e nefrologistas, uma “Lista de Verificação para a Transferência de Pacientes de Transplante Hepático e Renal Pediátrico para a Unidade de Adultos”. O protocolo, destinado a profissionais de saúde, reúne os elementos-chave para garantir uma transição planejada, estruturada, coordenada e centrada no paciente, evitando períodos sem atendimento especializado.

“O sucesso do transplante hepático e renal pediátrico não termina na infância. Muitas dessas pessoas viverão décadas com seu enxerto, pelo que a transição para a medicina de adultos é um momento crítico. Se isso for realizado por meio de um programa estruturado de transição conduzido por profissionais qualificados e com experiência suficiente, é possível garantir uma continuidade assistencial de qualidade e melhorar os resultados a longo prazo do transplante”, concluem os especialistas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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