MADRID 30 jun. (EUROPA PRESS) -
Pela primeira vez, cientistas detectaram um terremoto de deslizamento lento durante a liberação de pressão tectônica em uma grande zona de falha no fundo do oceano.
O terremoto de movimento lento foi registrado se propagando ao longo da seção da falha geradora de tsunamis na costa do Japão, atuando como um amortecedor tectônico. Os pesquisadores da Universidade do Texas em Austin descreveram o evento como a abertura lenta da falha entre duas placas tectônicas terrestres.
Seus resultados foram publicados na Science.
"É como uma onda que se move através da interface da placa", disse Josh Edgington, que liderou o trabalho como estudante de doutorado no Instituto de Geofísica da Universidade do Texas (UTIG), em um comunicado.
Os terremotos de deslizamento lento são um tipo de evento sísmico de movimento lento que leva dias ou semanas para se desenvolver. Eles são relativamente novos para a ciência e acredita-se que sejam um processo importante de acúmulo e liberação de estresse como parte do ciclo sísmico. Novas medições, realizadas ao longo da falha de Nankai, no Japão, parecem confirmar esse fato.
SENSORES DE FUROS DE SONDAGEM
Essa pesquisa inovadora foi possível graças aos sensores de furo de sondagem instalados na região crítica mais afastada da costa, onde a falha está mais próxima do fundo do mar na fossa oceânica.
Os sensores de furos de sondagem podem detectar até mesmo os movimentos mais sutis, tão pequenos quanto alguns milímetros, disse Demian Saffer, diretor da UTIG que liderou o estudo. Esse movimento na falha da superfície é praticamente invisível para os sistemas de monitoramento baseados em terra, como as redes de GPS.
O terremoto de deslizamento lento, capturado pelos sensores da equipe no outono de 2015, moveu-se ao longo da cauda da falha (a região próxima ao fundo do mar onde os terremotos de superfície podem gerar tsunamis), aliviando a pressão tectônica em um local potencialmente perigoso. Um segundo tremor lento em 2020 seguiu a mesma trajetória. Embora a Falha de Nankai seja conhecida por gerar grandes terremotos e tsunamis, a descoberta sugere que essa parte da falha não contribui com energia para esses eventos, agindo mais como um amortecedor.
Os resultados ajudarão os pesquisadores a entender melhor o comportamento das falhas da zona de subducção ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, o cinturão tectônico que gera os maiores terremotos e tsunamis do planeta.
Os dois eventos, que só agora foram analisados com sucesso em detalhes, aparecem como ondas de deformação viajando pela crosta terrestre. Com origem a cerca de 48 quilômetros da costa do Japão, os sensores do furo de sondagem rastrearam esse movimento de rifting ao longo da falha à medida que ele se movia em direção ao mar antes de se dissipar na borda da margem continental.
CONEXÃO DIRETA
Cada evento levou várias semanas para percorrer 32 quilômetros ao longo da falha, e cada um deles ocorreu em locais onde as pressões de fluidos geológicos eram mais altas do que o normal. A descoberta é importante porque fornece fortes evidências de que os fluidos são um componente essencial dos terremotos lentos. Essa é uma ideia amplamente difundida na comunidade científica, mas até agora tem sido difícil encontrar uma conexão direta, de acordo com os autores.
A última vez que a falha de Nankai no Japão produziu um terremoto significativo foi em 1946. O terremoto de magnitude 8 destruiu 36.000 casas e matou mais de 1.300 pessoas.
Embora outro grande terremoto seja esperado no futuro, as observações sugerem que a falha libera pelo menos parte de sua energia acumulada de forma inofensiva em terremotos regulares e recorrentes de deslizamento lento. A localização também é importante, pois mostra que a parte da falha mais próxima da superfície libera pressão tectônica independentemente do restante da falha.
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