MADRID 31 jul. (EUROPA PRESS) -
Simulações geofísicas mostraram que um núcleo líquido foi capaz de gerar o campo magnético que protege nosso planeta e sua vida da radiação cósmica nociva nos primórdios da Terra.
Outros planetas de nosso sistema solar, como Marte, são constantemente bombardeados por partículas carregadas que dificultam a vida.
Os cientistas explicam a geração do campo magnético por um mecanismo conhecido como teoria do dínamo. Essa teoria afirma que o resfriamento lento e contínuo do núcleo líquido de ferro e níquel impulsiona correntes circulares de material líquido no núcleo externo, conhecidas como correntes de convecção.
Ao mesmo tempo, a rotação da Terra desvia essas correntes, fazendo com que elas fluam em um padrão helicoidal. Essas correntes de convecção geram correntes elétricas que, por sua vez, produzem campos magnéticos e, portanto, a maior parte do campo magnético da Terra.
MAIS DE UM BILHÃO DE ANOS ATRÁS No entanto, a teoria tem uma falha: o núcleo da Terra era completamente líquido antes da cristalização do núcleo interno, há cerca de um bilhão de anos. A questão é se o campo magnético poderia ter sido gerado antes disso.
Uma equipe de três geofísicos da ETH Zurich e da SUSTech (China) encontrou a resposta para essa pergunta em um novo estudo publicado na revista Nature.
Como o interior da Terra e os processos que ocorrem nele não podem ser observados diretamente, os geocientistas o estudam com a ajuda de modelos de computador.
Os pesquisadores desenvolveram um modelo de computador da Terra para simular se um núcleo completamente líquido também poderia gerar um campo magnético estável. Suas simulações foram parcialmente calculadas no computador de alto desempenho Piz Daint no CSCS em Lugano.
Nas simulações, os pesquisadores demonstram o regime físico correto no qual a viscosidade do núcleo da Terra não influencia o efeito dínamo. Isso significa que o campo magnético da Terra foi gerado no início da Terra de maneira semelhante à atual.
A equipe de pesquisa é a primeira a minimizar com sucesso a influência da viscosidade do núcleo da Terra a um valor insignificante em um modelo. "Até agora, ninguém havia conseguido realizar esses cálculos sob essas condições físicas corretas", disse o principal autor do estudo, Yufeng Lin, em um comunicado.
"Essa descoberta nos ajuda a entender melhor a história do campo magnético da Terra e é útil para interpretar dados do passado geológico", diz o coautor Andy Jackson, professor de geofísica da ETH Zurich.
Isso também coloca o surgimento da vida em uma nova perspectiva. Há bilhões de anos, a vida aparentemente se beneficiou do escudo magnético, que bloqueou a radiação nociva do espaço, possibilitando seu desenvolvimento.
Os pesquisadores também podem usar as novas descobertas para estudar os campos magnéticos de outros corpos celestes, como o Sol ou os planetas Júpiter e Saturno.
O campo magnético da Terra não apenas protege a vida, mas também desempenha um papel crucial ao possibilitar as comunicações via satélite e muitos outros aspectos da civilização moderna.
O campo magnético mudou sua polaridade milhares de vezes ao longo da história da Terra. Nas últimas décadas, os pesquisadores também observaram uma rápida mudança do polo norte magnético em direção ao polo norte geográfico. É fundamental para nossa civilização entender como o magnetismo está mudando na Terra.
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