Publicado 26/08/2026 14:10

A terapia hormonal está associada a um risco menor de demência, segundo um estudo

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MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -

A terapia de reposição hormonal (TRH) poderia reduzir o risco de demência, especialmente em determinados grupos de mulheres, de acordo com um estudo da Universidade de East Anglia e da Universidade de Exeter (Reino Unido).

Os pesquisadores acompanharam mais de 180 mil mulheres na pós-menopausa no Reino Unido, no que constitui o maior estudo desse tipo realizado até o momento. Os resultados mostraram que as mulheres que haviam utilizado a TRH apresentavam um risco 16% menor de desenvolver Alzheimer, a principal forma de demência, em comparação com aquelas que nunca haviam recorrido a esse tratamento.

A maior redução no risco foi observada entre as mulheres que passaram por menopausa cirúrgica, que apresentaram um risco 26% menor de desenvolver qualquer tipo de demência em comparação com aquelas que não utilizaram a TRH.

O estudo, publicado na revista “Alzheimer’s & Dementia”, também constatou que as mulheres que, naturalmente, tiveram uma menor exposição acumulada aos estrogênios ao longo da vida, devido a uma menarca tardia ou a uma menopausa precoce, pareciam obter maior benefício da TRS, com um risco 16% menor de desenvolver qualquer tipo de demência.

A professora Anne-Marie Minihane, da Faculdade de Medicina de Norwich da Universidade de East Anglia e diretora do Instituto de Norwich para o Envelhecimento Saudável da mesma universidade, liderou o estudo.

“A demência afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e as mulheres representam quase dois terços dos casos da doença de Alzheimer, a principal forma de demência. À medida que as populações envelhecem, compreender como fatores específicos relacionados ao sexo influenciam o risco de demência torna-se cada vez mais importante”, explicou Minihane.

Segundo a pesquisadora, além de viverem mais anos, acredita-se que a maior prevalência entre as mulheres esteja relacionada aos efeitos da menopausa sobre o metabolismo cerebral e ao maior impacto que o principal fator de risco genético, o APOE4, exerce sobre elas. “Queríamos entender melhor como a TRS poderia prevenir a demência e determinar se determinados grupos de mulheres poderiam responder de maneira diferente”, acrescentou ela.

COMO FOI REALIZADA A PESQUISA

Os pesquisadores analisaram dados de saúde do UK Biobank e acompanharam 183.450 mulheres na pós-menopausa durante um período médio de 13,3 anos.

Durante esse período, foram identificados quase 4.000 casos de demência. O estudo examinou se o uso da terapia hormonal substitutiva (THS) por pelo menos um ano estava relacionado ao risco de desenvolver demência e se essa relação variava em função de fatores biológicos e genéticos.

A equipe também levou em consideração outros fatores que poderiam influenciar tanto o risco de demência quanto o uso da TRH, como idade, fatores socioeconômicos, outros problemas de saúde e o uso de medicamentos.

“Constatamos que as mulheres que haviam utilizado a TRH tinham cerca de 10% menos chances de desenvolver demência e 16% menos chances de desenvolver Alzheimer, em comparação com aquelas que nunca haviam utilizado esse tratamento. No entanto, a associação protetora entre a TRH e a demência não foi a mesma para todas as mulheres”, explicou.

MAIORES BENEFÍCIOS EM DETERMINADOS GRUPOS

“Constatamos que a TRH é especialmente benéfica para mulheres que passaram por uma menopausa cirúrgica, por exemplo, após a remoção dos ovários. Nesse grupo, as mulheres que utilizaram a TRH apresentaram cerca de 26% menos chances de desenvolver demência do que aquelas que não recorreram a esse tratamento”, destacou a pesquisadora.

Também observaram que as mulheres cujos organismos haviam produzido naturalmente menos estrógenos ao longo da vida, por terem começado a menstruar mais tarde ou atingido a menopausa precocemente, pareciam obter um benefício maior com a TRH. Além disso, o risco dessas mulheres de desenvolver demência era cerca de 16% menor quando utilizavam a TRH.

A genética também desempenhou um papel importante. As associações entre o uso da TRH e a demência foram mais fortes nas mulheres portadoras da variante genética APOE4, um fator de risco conhecido para a doença de Alzheimer.

“Isso é realmente importante porque as portadoras de APOE4 costumam ser consideradas mulheres com maior risco e têm menos opções comprovadas de prevenção”, acrescentou Minihane.

O MOMENTO DE INICIAR O TRATAMENTO PODE SER FUNDAMENTAL

A idade em que as mulheres iniciaram a terapia de reposição hormonal (TRH) também pareceu influenciar os resultados. Aquelas que iniciaram o tratamento entre 46 e 56 anos apresentaram a maior redução no risco de demência.

Esse resultado corrobora a chamada hipótese da “janela crítica”, segundo a qual a terapia hormonal poderia oferecer maiores benefícios quando iniciada próximo à transição para a menopausa, em vez de ser iniciada mais tarde.

O estudo não constatou o mesmo nível de benefício quando a TRH foi iniciada fora desse intervalo de idade, o que reforça a importância do momento em que se inicia esse tipo de tratamento hormonal.

IMPLICAÇÕES PARA UM ATENDIMENTO PERSONALIZADO

“Nossos resultados se somam às evidências crescentes de que os efeitos da terapia hormonal sobre a saúde cerebral são complexos e são influenciados por fatores biológicos individuais”, destacou a professora Minihane.

“Embora a THS tenha sido tradicionalmente prescrita principalmente para aliviar sintomas da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, este trabalho sugere que ela também poderia desempenhar um papel na saúde cognitiva a longo prazo de algumas mulheres”, destacou ela.

Essa pesquisa se baseia em um estudo anterior da Universidade de East Anglia, que constatou que o uso da THR estava associado a melhor memória e capacidade cognitiva, bem como a maior volume cerebral na terceira idade, entre mulheres portadoras da variante genética APOE4, relacionada ao risco de demência.

Os pesquisadores apontam que seus novos resultados estabelecem as bases para a adoção de abordagens mais personalizadas na prescrição da TRH, levando em consideração o tipo de menopausa, o risco genético, a exposição acumulada aos hormônios ao longo da vida e a idade em que o tratamento é iniciado.

“Esses resultados representam um avanço importante. Em vez de simplesmente nos perguntarmos se a TRH afeta o risco de demência, conseguimos identificar quais mulheres têm mais chances de se beneficiar e em que momento. Essa é a base sobre a qual podem ser desenvolvidas abordagens verdadeiramente personalizadas para proteger a saúde cerebral das mulheres”, concluiu o professor David Llewellyn, da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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