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MADRID, 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A doutora em Física e meteorologista do eltiempo.es, Mar Gómez, explicou que “a combinação” de uma primavera muito úmida com uma transição térmica brusca para o calor criou “as condições perfeitas para uma polinização intensa e prolongada”, que continuará afetando as pessoas alérgicas nos próximos dias, apesar do início do verão meteorológico.
De acordo com a seção de Pólen do site eltiempo.es, as gramíneas continuam registrando altas concentrações em amplas zonas do norte e do centro da Península Ibérica, com especial incidência em Castela e Leão, Extremadura, Navarra e no norte da Andaluzia. A oliveira, por sua vez, praticamente completou seu ciclo de polinização no sul, deixando concentrações muito elevadas no Vale do Guadalquivir, que afetaram especialmente Córdoba, Jaén e Granada nas últimas semanas.
As condições meteorológicas dos próximos dias podem gerar um aumento na concentração, sobretudo nas áreas onde as gramíneas ainda não terminaram seu ciclo. “Quando as depressões trazem chuva, o alívio é real, mas efêmero: assim que a estabilidade se restabelece e voltam os dias secos e ventosos, a dispersão do pólen se reativa com força. Esta semana teremos esse padrão de forma muito clara em muitas regiões do país”, detalhou Gómez.
A sobreposição entre o fim do ciclo da oliveira e o pico tardio das gramíneas é especialmente agressiva para pacientes sensibilizados a múltiplos alérgenos, que nesta época do ano podem sofrer uma intensificação dos sintomas sem saber muito bem a qual das duas plantas atribuí-la.
A esse respeito, a médica e divulgadora em saúde Paula Samper referiu que, em consultório, é frequente observar rinite alérgica sazonal, que se apresenta com espirros repetidos, congestão ou corrimento nasal claro, coceira no nariz, olhos ou garganta e lacrimejamento. Também é comum a sensação de cansaço nos dias com maior concentração de pólen.
"O que mais nos preocupa agora é que muitos pacientes chegam pensando que têm um resfriado que não passa. Essa confusão atrasa o diagnóstico e, sobretudo, o tratamento”, alertou Samper, que colaborou com o eltiempo.es nesta campanha de conscientização sobre os alérgenos.
Paralelamente, ele ressaltou a importância de não subestimar o impacto em pacientes com patologias respiratórias pré-existentes e, como exemplo, citou as pessoas com asma, nas quais a alergia “pode agravar os sintomas respiratórios, causando opressão no peito ou dificuldade para respirar”.
RECOMENDAÇÕES
Para reduzir a exposição ao pólen nesta fase da estação, Samper recomendou arejar a casa por 10 a 15 minutos, de preferência após os episódios de chuva previstos para esta semana, quando a concentração no ar é menor.
Além disso, ele sugeriu o uso de óculos de sol em ambientes externos para reduzir o contato do pólen com os olhos; aplicar lágrimas artificiais ou colírios anti-histamínicos se a irritação ocular for intensa; trocar de roupa e tomar banho ao chegar em casa para eliminar partículas aderidas à pele e ao cabelo; e realizar lavagens nasais com soro fisiológico, uma das medidas mais eficazes para remover o pólen e aliviar a congestão.
Ele também insistiu na importância de consultar diariamente os níveis de pólen. “Essa relação entre clima e alergia é fundamental para a prevenção: conhecer a previsão e os níveis esperados permite planejar melhor as atividades diárias”, destacou.
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