Publicado 26/08/2025 06:26

O tempo geológico se mantém em um padrão oculto de 500 milhões de anos

Padrões ocultos no tempo geológico revelados: a variabilidade da Terra satura em 500 milhões de anos
NASA

MADRID 26 ago. (EUROPA PRESS) -

Um estudo publicado na Earth and Planetary Science Letters revela que os limites entre épocas e períodos geológicos, embora distribuídos aleatoriamente, seguem um padrão hierárquico oculto.

Esses limites temporais estão agrupados de uma forma que reflete as flutuações mais profundas do sistema terrestre, cuja variabilidade se satura a cada 500 milhões de anos. Essa descoberta pode transformar nossa compreensão do passado e do possível futuro de nosso planeta, de acordo com os autores.

"As escalas de tempo geológicas podem parecer linhas do tempo de livros didáticos, mas seus limites contam uma história muito mais caótica. Nossas descobertas mostram que o que parecia ser um ruído irregular é, na verdade, fundamental para entender como nosso planeta está mudando e até onde essa mudança pode chegar", disse o professor Andrej Spiridonov, geólogo e paleontólogo da Universidade de Vilnius e coautor do estudo, em um comunicado.

Essa pesquisa se concentrou na distribuição dos limites que definem épocas, períodos e eras no tempo geológico. Isso inclui a Carta Geocronológica Internacional oficial, bem como escalas de tempo baseadas em biozonas usando intervalos de tempo de espécies extintas, como conodontes, graptólitos e amonoides. Em todas essas linhas do tempo, do local ao global, surgiu um padrão impressionante: os limites das unidades de tempo não são espaçados de maneira uniforme.

Em vez disso, os limites aparecem em grupos, separados por longos intervalos de relativa calma. Essa extrema irregularidade foi descrita pelo conceito de multifractal: padrões matemáticos que se repetem em diferentes escalas.

"Os intervalos entre os principais eventos da história da Terra, desde as extinções em massa até as explosões evolutivas, não são distribuídos de forma totalmente uniforme. Eles seguem uma lógica multifractal que revela como a variabilidade se repete em cascata ao longo do tempo", explica o professor Spiridonov.

500 MILHÕES DE ANOS

Essa análise permitiu que os pesquisadores estimassem a "escala de tempo externa" do sistema terrestre: o período de tempo necessário para revelar toda a extensão de sua variabilidade natural. Eles descobriram que esse limite é de aproximadamente 500 milhões de anos ou até mais.

"Se quisermos entender toda a gama de comportamentos da Terra, sejam eles períodos de calmaria ou convulsões globais repentinas, precisamos de registros geológicos que cubram pelo menos 500 milhões de anos. E, idealmente, um bilhão", diz o professor Spiridonov.

De acordo com os autores do estudo, essa perspectiva ajuda a explicar por que escalas de tempo mais curtas geralmente não conseguem captar os extremos - tanto estáveis quanto caóticos - que definem a evolução planetária.

O estudo também apresenta um novo modelo teórico para descrever a distribuição desses limites geológicos: o Processo Multifractal-Poisson Composto. Esse modelo sugere que os eventos geológicos estão entrelaçados, formando um padrão em cascata em que surgem agrupamentos dentro de agrupamentos, todos regidos por um único processo estatístico.

"Agora temos evidências matemáticas de que as mudanças no sistema terrestre não são apenas irregulares, mas profundamente estruturadas e hierárquicas. Isso tem implicações enormes não apenas para a compreensão do passado da Terra, mas também para a forma como modelamos as futuras mudanças planetárias", conclui o professor Spiridonov.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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