NORTHROP GRUMMAN - Arquivo
MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -
Utilizando observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST), pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) identificaram manhãs nubladas e tardes claras em um exoplaneta gigante gasoso distante.
As descobertas, publicadas na revista 'Science', sugerem que os aerossóis atmosféricos do planeta são dominados por nuvens impulsionadas pela condensação, que se formam, circulam e evaporam ao se moverem através de contrastes extremos de temperatura em todo o planeta.
Os aerossóis desempenham um papel importante na definição da aparência, da química e da temperatura das atmosferas dos exoplanetas.
No entanto, há informações limitadas sobre a natureza dessas partículas, incluindo sua distribuição atmosférica ou os processos físicos que determinam suas propriedades.
Nos Júpiteres quentes (uma classe de exoplanetas gigantes gasosos fisicamente semelhantes a Júpiter), há muito se debate se os aerossóis atmosféricos são principalmente nuvens minerais formadas por condensação ou névoas fotoquímicas geradas pela intensa radiação estelar. Como podem obscurecer ou distorcer os sinais espectrais, eles também dificultam os esforços para determinar a composição química de mundos distantes.
Especificamente, o pesquisador Sagnick Mukherjee e seus colaboradores da Universidade Johns Hopkins utilizaram o instrumento NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) do JWST para observar o exoplaneta WASP-94A b, um Júpiter quente com rotação síncrona, e analisaram a luz que atravessa separadamente os horizontes atmosféricos matinais e vespertinos do planeta.
As descobertas revelaram diferenças marcantes entre os dois hemisférios: o lado matinal, mais frio, aparecia densamente coberto por nuvens ricas em minerais que ocultavam os sinais gasosos, enquanto o lado vespertino, mais quente, era comparativamente claro e apresentava uma forte absorção de vapor de água. Segundo os pesquisadores, esse padrão sugere que os aerossóis do planeta são dominados por nuvens formadas por condensação, em vez de processos fotoquímicos.
Além disso, uma análise posterior por meio de um modelo de circulação geral em 3D indica um ciclo dinâmico de nuvens impulsionado por contrastes extremos de temperatura de aproximadamente 450 graus Kelvin entre os dois hemisférios do planeta. As nuvens parecem se formar no lado noturno mais frio do planeta, circular em direção ao lado diurno e, então, evaporar-se ao se moverem para o lado diurno, intensamente aquecido.
As descobertas alertam que considerar a atmosfera de um exoplaneta como uniforme — uma suposição simplificadora comum — pode distorcer ou enviesar significativamente as estimativas de sua química e propriedades físicas, e sugerem que medições anteriores de atmosferas de exoplanetas talvez precisem ser reconsideradas para levar em conta sistemas meteorológicos complexos e assimétricos.
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